Turquia alerta que não é hora de discutir sanções contra o Irã

Debate pode minar atmosfera de negociação agora que país islâmico mostrou flexibilidade

Reuters

18 Maio 2010 | 15h37

ISTAMBUL - A Turquia disse nesta terça-feira, 18, que o Irã mostrou disposição política para resolver o impasse com o Ocidente sobre seu programa nuclear e disse que não era hora de discutir sanções, segundo declarações do Ministro de Exteriores turco, Ahmet Davutoglu.

 

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"Todos devem entender que o Irã mostrou uma grande flexibilidade não esperada anteriormente, e essa flexibilidade é uma oportunidade para uma nova fase da diplomacia", disse o chanceler, referindo-se ao acordo fechado entre a República Islâmica, o Brasil e a Turquia sobre a troca de urânio.

 

Na segunda-feira, o Irã assinou um acordo com o Brasil e a Turquia para realizar a troca de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 4% por 120 quilos de urânio enriquecido a 20%, material nuclear pronto para ser usado em um reator de pesquisas. Além disso, o acordo reafirma o compromisso iraniano com os termos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). A proposta é semelhante à firmada entre a AIEA e Teerã em outubro do ano passado, embora os iranianos tenham deixado o pacto na ocasião.

 

Em uma conferência um pouco mais cedo, Davutoglu avisou que as discussões sobre sanções poderiam "minar a atmosfera" para o acordo, provocar a opinião pública do Irã e elevar o risco do endurecimento dos discursos de todos os lados envolvidos no impasse nuclear.

 

Pouco tempo depois, na terça-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido - e a Alemanha entraram em acordo sobre um rascunho do novo pacote de sanções a ser aplicado sobre o Irã. Segundo a americana, o documento será apresentado ainda nesta terça para todo o Conselho de Segurança na sede da ONU, em Nova York.

 

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As sanções são pretendidas pelas potências ocidentais, que temem que o Irã enriqueça urânio para produzir armas de destruição em massa. Elas dizem que a República Islâmica não coopera com a AIEA nas investigações sobre seu programa nuclear. Teerã, porém, nega e afirma que mantém as atividades atômicas apenas para produzir energia elétrica.

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