Jason Szenes/Efe
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Turquia ameaça cortar energia para Síria caso repressão de Assad continue

Turcos também anunciaram o cancelamento de planos para a exploração conjunta de petróleo

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2011 | 03h03

NOVA YORK - Em um dia de violentos combates entre as forças de segurança e milícias opositoras em diferentes regiões da Síria, a Turquia ameaçou cortar o fornecimento de energia para os sírios caso o governo de Bashar Al-Assad não interrompa a repressão contra ativistas. Principais parceiros comerciais de Damasco, os turcos também anunciaram o cancelamento de planos para a exploração conjunta de petróleo.

Em outro revés para Assad, cada vez mais isolado internacionalmente, o Conselho de Cooperação do Golfo, composto por seis monarquias árabes, não aceitou o convite do regime sírio para uma reunião dos chanceleres do mundo árabe. O objetivo da Síria era evitar a suspensão decretada pela Liga Árabe, que deve entrar em vigor hoje, após uma reunião em Rabat, no Marrocos, da qual Damasco anunciou que não participará.

As principais autoridades da Turquia fizeram declarações duras ontem contra Assad, começando pelo premiê Recep Tayyip Erdogan. "Mais uma vez, condeno duramente o ataque contra a bandeira turca e nossa embaixada", afirmou, referindo-se às ações violentas de simpatizantes do regime contra missões diplomáticas de alguns países na madrugada de domingo.

"Bashar, você que tem milhares de pessoas nas prisões, precisa achar os responsáveis pelo ataque contra a bandeira turca e puni-los", acrescentou o premiê, que era amigo de Assad até meses atrás.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, afirmou que "os ataques contra nossos cidadãos são inaceitáveis", em referência aos diplomatas de Ancara que vivem em Damasco. Segundo o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, "se Assad não tomar as medidas necessárias, nossa reação será diferente caso essas ações se repitam".

A Turquia, que mantém um comércio bilateral com a Síria estimado em US$ 2,5 bilhões, afastou-se de Assad depois de o líder sírio não cumprir a promessa feita meses atrás de interromper a violência no país.

Milícias opositoras e milhares de refugiados sírios buscaram abrigo em território turco. "No momento, estamos fornecendo eletricidade para a Síria. Mas, se eles continuarem nesse rumo, precisaremos rever nossas decisões", afirmou o ministro turco da Energia, Taner Yildiz. De acordo com ele, a companhia de petróleo estatal da Turquia não levará adiante planos para exploração de petróleo na Síria.

Em Nova York, os EUA e seus aliados europeus devem voltar a pressionar por uma resolução no Conselho de Segurança da ONU usando a decisão da Liga Árabe como argumento, segundo o Estado apurou com fontes diplomáticas. A Rússia manteve sua oposição a essa ação e deve usar seu poder de veto.

Em reunião com opositores sírios, a chancelaria russa pediu a eles que dialoguem com Assad. Ao menos 69 pessoas morreram na segunda-feira em combates entre as forças de segurança e grupos armados da oposição em Homs e outras partes do país - 34 eram soldados e policiais. Segundo a ONU, 3,5 mil pessoas foram mortas desde março na repressão do governo a dissidentes.

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