Turquia ameaça invadir Iraque

Premiê diz que lançará ataque contra rebeldes no Curdistão iraquiano se negociação fracassar

AFP e Reuters, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse ontem que seu país pode invadir o norte do Iraque após as eleições parlamentares, que ocorrem amanhã. Para o premiê, se as discussões com Bagdá e Washington sobre o combate às milícias curdas na região não derem resultado, "as operações militares podem entrar na agenda" da Turquia. Logo após as eleições, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, deve ir à Turquia para negociar a demanda de Ancara para que as tropas iraquianas combatam militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no lado iraquiano da fronteira. Eles são acusados de usar a região para lançar ataques contra alvos turcos. "Qualquer medida necessária pode ser tomada imediatamente, porque estamos capacitados para isso", disse Erdogan em relação a uma possível incursão no Iraque. "Vamos ver o resultado das conversas trilaterais (com EUA e Iraque). Se não ocorrer como esperamos,decidiremos que método usar para lidar com o problema." O partido de Erdogan - Justiça e Desenvolvimento (AKP) - é o favorito para conquistar a maioria dos assentos no Parlamento. Partidos de oposição têm criticado o governo por não combater os militantes do PKK em território iraquiano - uma ação que poderia afetar as alianças da Turquia com o Iraque e os EUA. A invasão poderia desestabilizar a região, uma das únicas ainda relativamente estáveis do Iraque, e criaria mais um problema para o Exército americano, que já indicou que apoiaria os curdos. O governo de Erdogan mantém centenas de soldados na fronteira com o Iraque e costuma ordenar ataques esporádicos na região, onde mais de 70 soldados turcos já morreram este ano. Na quarta-feira, autoridades iraquianas condenaram a Turquia por lançar bombardeios aéreos no local. Para invadir o Curdistão iraquiano, entretanto, Erdogan precisa da aprovação do Parlamento - o que não será difícil de obter, já que dois outros partidos que devem eleger parlamentares (Ação Nacionalista e Republicano do Povo) são a favor da operação. Como lidar com o PKK tem sido uma questão central na campanha eleitoral de todos os partidos turcos. Assim como Erdogan, a grande maioria dos políticos só aceita negociar com os parlamentares curdos se eles aceitarem classificar o PKK com uma organização terrorista. Pesquisas mostram que os curdos devem obter votos suficientes para voltar ao governo, do qual eles não participam desde 1990. Na época, muitos foram expulsos por causa de ligações com rebeldes curdos.

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