AP Photo/Lefteris Pitarakis
AP Photo/Lefteris Pitarakis

Turquia avança contra milícia curda apoiada pelos EUA no norte da Síria

Segundo dia de ataques contra milícia no norte da Síria eleva a tensão regional e aumenta a crise entre Rússia e americanos

O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2018 | 11h07
Atualizado 21 Janeiro 2018 | 21h39

AFRIN, SÍRIA - Em rota de colisão com os Estados Unidos, a Turquia continuou neste domingo, 21, sua ofensiva a milícias curdas apoiadas pelos americanos na Síria, e iniciou uma invasão terrestre. Tanques e blindados seguiram pela fronteira e entraram na província de Afrin, no norte da Síria. A ação marcou o segundo dia de luta. No sábado 20, a Turquia bombardeou diversas posições da milícia YPG para abrir caminho para a invasão terrestre. Ao menos 21 civis morreram. 

“A Operação Olive Branch está acontecendo como planejado, e a operação terrestre começou”, disse o Exército turco, segundo maior da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo o primeiro-ministro Binali Yildirim, a operação criaria uma “zona segura” de 30 quilômetros. Facções rebeldes do Exército Sírio Livre apoiadas pela Turquia capturaram uma aldeia curda sem resistência e retiravam minas terrestres.

A YPG disse que havia repelido as forças turcas. “Eles foram forçados a recuar”, afirmou Nouri Mahmoudi, membro da YPG. Ontem, durante todo o dia, os combatentes trocaram tiros e bombardeios e entraram em confronto ao longo de várias linhas de frente.

A Turquia decidiu atacar as forças curdas Unidades de Proteção Popular (YPG) em Afrin pela região ser um enclave curdo dominado pelo grupo. O governo de Recep Tayyip Erdogan vê a YPG como uma extensão do proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), formado em 1978, com o objetivo original de criar um Estado independente, o Curdistão. Hoje, o PKK pede autonomia para os curdos, mas é perseguido pelos turcos, que os consideram uma organização terrorista. 

Tensões. Considerada terrorista pelos EUA até a ascensão do Estado Islâmico (EI), a YPG se tornou uma aliada dos americanos na luta contra o EI em cidades-chave do norte da Síria. A aproximação provocou irritação da Turquia com seu aliado na OTAN. Na semana passada, o governo americano anunciou a criação de uma força fronteiriça na Síria, com 30 mil soldados, que seria comandada pela coalizão militar liderada pela YPG. Erdogan acusa a milícia curda de tentar criar um “corredor de terror” na fronteira.

O ataque turco em Afrin também reflete as frustrações cada vez maiores do governo turco com o apoio dado por Washington às forças curdas, que atualmente controlam cerca de 25% do território sírio. 

A Rússia, que apoia o regime do presidente sírio Bashar Assad, retirou seus militares da área onde acontece a ofensiva turca, em sinal de consentimento, mas pediu “moderação” às autoridades de Ancara.

Neste domingo, Assad acusou a Turquia de apoiar o terrorismo. “A brutal agressão turca contra a cidade síria de Afrin não se pode dissociar da política do regime turco desde o primeiro dia da crise síria, que tem se baseado principalmente no apoio ao terrorismo”, disse Assad em comunicado. Damasco ameaçou derrubar aviões turcos em seu território.

Os EUA afirmam que foram avisados pela Turquia antes dos ataques aéreos. Segundo o secretário de Defesa americano, Jim Mattis, Washington está em contato com Ancara sobre o caminho a seguir. Neste domingo, o governo americano pediu que a Turquia “exerça contenção” em suas operações militares. O Conselho de Segurança da ONU abordará o tema nesta segunda-feira. / AFP, AP e REUTERS

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