Osman Orsal/Reuters
Osman Orsal/Reuters

Turquia bloqueia espaço aéreo a aviões civis sírios e amplia isolamento de Assad

Chanceler turco disse que medida foi tomada porque o regime da Síria tem 'abusado' de voos civis

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2012 | 03h02

ANCARA - A Turquia proibiu ontem aviões comerciais sírios de sobrevoar seu território. Segundo o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, o país tomou a decisão porque o regime de Bashar Assad tem "abusado" dos voos civis para transportar equipamento militar. Além de isolar mais o regime sírio, a medida amplia a crise diplomática internacional que envolve a Rússia, acusada de apoiar a repressão aos rebeldes sírios.

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Na quarta-feira, dois caças turcos forçaram uma aeronave da Syrian Air que viajava de Moscou a Damasco a pousar em Ancara. Segundo informações do governo turco ao jornal Yeni Safak, havia dez contêineres no Airbus A320. Neles, foram encontrados receptores de rádio, antenas e partes de mísseis.

O avião, com 37 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, foi liberado para seguir para Damasco após cerca de oito horas no Aeroporto de Ancara. O premiê Recep Erdogan recusou-se a revelar como a Turquia soube que o avião transportava equipamento militar.

Acusado de colaborar com a repressão do regime de Assad aos rebeldes que há 19 meses tentam derrubar a ditadura síria, o governo da Rússia disse que a ação da Turquia pôs em risco a vida dos passageiros, dos quais 17 eram russos.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, argumentou na sexta-feira que a carga era composta de "equipamentos eletrônicos para radares", apesar da possibilidade de o sistema ter uso tanto civil quanto militar. "Não existe nenhuma convenção internacional que proíba isso", disse Lavrov.

No mesmo dia, os EUA classificaram a política da Rússia ajuda ao regime sírio de "moralmente falida". A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, afirmou "não ter nenhuma dúvida" de que o avião sírio levava material militar russo para Damasco. "Estamos dizendo há quase um ano que nenhum país deve ajudar a máquina de guerra do regime Assad", disse Nuland.

Combates. Conforme o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo opositor com sede em Londres, o Exército sírio lançou ontem um contra-ataque aos rebeldes no norte do país. Em Idlib, no noroeste, onde a maior parte do território está nas mãos dos rebeldes, o Exército usou jatos de combate para bombardear Maaret al-Numan, capturada pelo grupo rebelde Exército Sírio Livre na semana passada.

No leste de Maaret al-Numan, tropas do Exército tentaram impedir um novo ataque rebelde à base militar de Wadi Deif, a maior de Idlib, onde há grandes quantidades de combustível e tanques. O contra-ataque ocorreu depois de os rebeldes terem capturado três oficiais militares em Idlib. Na semana passada, os rebeldes dizem ter detido 256 soldados durante um confronto perto da fronteira com a Turquia.

Na capital síria, dezenas de corpos de rebeldes foram encontrados no necrotério de um hospital. Os cadáveres estavam em uma área a sudoeste de Damasco, entre Moadamiyat al-Sham e Daraya, palco de ataques do Exército e batalhas com rebeldes, que resultaram no massacre de mais de 500 pessoas em Daraya no final de agosto. / REUTERS e AP

 

 

 

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