Turquia chama de volta embaixador no Vaticano

A Turquia chamou de volta seu embaixador no Vaticano em protesto a declarações do Papa Francisco neste domingo. O Pontífice chamou o assassinato de armênios por turcos otomanos de "o primeiro genocídio do século 20" e pediu que a comunidade internacional reconhecesse o evento dessa forma. O ato deu origem a um racha diplomático com a Turquia num momento já delicado para as relações entre cristãos e muçulmanos.

Estadão Conteúdo

12 de abril de 2015 | 14h09

O presidente da Armênia, Serge Sarkisian, que estava no Vaticano para marcar o centenário dos assassinatos em uma missa na Basílica de São Pedro, elogiou o Papa por "chamar as coisas pelos seus nomes". Já a Turquia considerou que a declaração é "inaceitável".

"O depoimento do Papa, que está longe da verdade histórica e legal, é inaceitável", escreveu no Twitter o ministro de Relações Exteriores Mevlut Cavusoglu. "Postos religiosos não são espaço para alegações infundadas nem para agitação e ódio", acrescentou.

O Papa Francisco, que tem laços próximos com a comunidade armênia desde seus dias na Argentina, defendeu seu pronunciamento dizendo que é seu dever honrar a memória de homens, mulheres, crianças, padres e bispos inocentes que foram assassinados "sem sentido". "Ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida continue sangrando sem fazer um curativo", disse ele no início da missa de domingo.

A embaixada turca na Santa Sé cancelou uma coletiva de imprensa prevista para este domingo, provavelmente antecipando que o Papa usaria a palavra "genocídio". O ministério de Relações Exteriores então convocou o enviado ao Vaticano e mais tarde anunciou que estava chamando o embaixador para consultas.

Historiadores estimam que em torno de 1,5 milhão de armênios tenham sido mortos por turcos otomanos durante o período da Primeira Guerra Mundial, um evento amplamente visto por estudiosos como o primeiro genocídio do século 20. Vários países europeus reconhecem que o massacre foi um genocídio, embora a Itália e os Estados Unidos evitem usar esse termo oficialmente, dada a importância que dão à Turquia como um aliado. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.