JOSEPH EID / AFP
JOSEPH EID / AFP

Turquia chama seu embaixador no Brasil após Senado aprovar moção pró-armênios

Governo turco chamou a decisão de senadores brasileiros ao reconhecer genocídio do povo armênio de 'irresponsabilidade'

O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 08h53

(Atualizada às 15h) ANCARA - O governo da Turquia chamou para consultas seu embaixador em Brasília, Hüseyin Diriöz, depois que o Senado brasileiro se solidarizou com o povo armênio em razão do genocídio sofrido há cem anos.

O Ministério das Relações Exteriores turco divulgou na segunda-feira 8 um comunicado condenando a resolução do Senado brasileiro do dia 2 por considerar que "distorce as verdades históricas e omite a lei". "O consideramos como um exemplo de irresponsabilidade", concluiu.

O governo turco acrescenta que seus pontos de vista a respeito da morte de milhares de armênios em 24 de abril de 1915 foram  transmitido ao embaixador do Brasil em Ancara ao ser convocado ao Ministério das Relações Exteriores no dia 3. Agora, foi chamado a consultas o embaixador turco em Brasília.

O Senado brasileiro se solidarizou com o povo armênio no centenário da "campanha de extermínio de sua população", realizada pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. Alguns senadores consideraram necessário que a Turquia "reconheça o crime de genocídio e estabeleça um diálogo produtivo com a Armênia".

A postura oficial da Turquia diz que a morte de milhares de armênios em 1915, nas proximidades do Império Otomano, foi consequência das ramificações da Primeira Guerra Mundial na Anatólia e é comparável a perdas de vidas entre várias etnias de fé muçulmana.

Além disso, a Turquia insiste que não se pode usar o termo "genocídio" para fatos anteriores a sua definição legal em 1948.

Reação. O governo brasileiro divulgou uma nota por meio do Itamaraty no qual lamenta a decisão do governo turco de chamar para consultas seu embaixador no Brasil. 

"(O governo) lamenta, igualmente, os termos da nota à imprensa divulgada pelo Governo turco a propósito da adoção, pelo Senado Federal, do Requerimento nº 550, que contém 'Moção de Solidariedade ao povo armênio pelo transcurso do Centenário da Campanha de extermínio de sua população'", diz o texto divulgado pela chancelaria brasileira.

Confira a íntegra da nota do Itamaraty:

"O Governo brasileiro lamenta a decisão do Governo turco de chamar para consultas seu Embaixador no Brasil. Lamenta, igualmente, os termos da nota à imprensa divulgada pelo Governo turco a propósito da adoção, pelo Senado Federal, do Requerimento nº 550, que contém "Moção de Solidariedade ao povo armênio pelo transcurso do Centenário da Campanha de extermínio de sua população". 

 

No último dia 1º. de junho, o Embaixador turco foi chamado ao Itamaraty e recebeu do Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Sergio Danese, amplas explicações sobre os procedimentos então em curso no Senado, sobre o sentido do Requerimento e sobre a tradicional posição do Brasil na matéria, que permanece inalterada. As mesmas explicações foram transmitidas pelo Secretário-Geral ao Embaixador da Armênia.

 

O Senado Federal agiu dentro de suas prerrogativas constitucionais e em consonância com o princípio da independência de Poderes consagrada pela Constituição brasileira.

 

O Governo brasileiro mantém a expectativa de que as relações bilaterais com a Turquia, formalmente definidas como estratégicas pelos dois países, possam retornar em breve à plena normalidade." / EFE

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