Joshua Roberts / Reuters
Joshua Roberts / Reuters

Turquia compartilhou informações sobre morte de jornalista saudita com diretora da CIA, diz jornal

De acordo com o ‘Sabah’, o Serviço de Inteligência Turco (MIT) exibiu a Gina Haspel alguns vídeos e gravações de áudio vinculados ao assassinato de Jamal Khashoggi

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2018 | 07h33

ISTAMBUL, TURQUIA - A Turquia compartilhou com a diretora da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos as informações obtidas no âmbito da investigação do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, de acordo com o jornal turco Sabah.

A publicação, ligada ao governo e uma das principais a revelar os "vazamentos" sobre a investigação desde o início do caso, afirmou que o Serviço de Inteligência Turco (MIT) "informou Gina Haspel sobre as provas vinculadas" ao assassinato do jornalista. Líder da CIA desde abril, ela chegou a Istambul na terça-feira.

O jornal disse que o MIT exibiu à diretora da CIA alguns vídeos e gravações de áudio. Também compartilhou "os elementos obtidos durante a operação de busca no consulado geral e na residência do cônsul da Arábia Saudita em Istambul".

Jamal Khashoggi, de 59 anos, colunista respeitado e colaborador do jornal The Washington Post, foi assassinado no dia 2 de outubro no consulado saudita em Istambul. Ele foi ao prédio para resolver um trâmite burocrático e não saiu mais.

Desde o desaparecimento do jornalista, os jornais turcos, incluindo o Sabah, afirmavam que os investigadores tinham gravações de vídeo e áudio que provavam que Khashoggi havia sido torturado, assassinado e esquartejado.

Ancara, no entanto, não reconheceu oficialmente a existência do material. O presidente Recep Tayyip Erdogan não mencionou esses elementos no discurso feito na terça-feira sobre o caso, no qual afirmou que o assassinato de Khashoggi foi um crime "premeditado".

De acordo com o Sabah, Gina Haspel, que foi espiã e fala turco, se reuniu com altos funcionários do governo de Ancara.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, exigiu toda a verdade sobre o "impactante assassinato" de Khashoggi, independente de quem for o autor. "O único interesse europeu é revelar todos os detalhes deste caso, seja quem for o autor", afirmou no Parlamento Europeu em Estrasburgo.

Fórum em Riad

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, deve falar nesta quarta em um fórum sobre investimentos realizado em Riad, seu primeiro discurso desde o início da crise causada pelo assassinato de Khashoggi.

Bin Salman fez uma breve aparição na véspera, no primeiro dia de conferências do fórum Future Investment Initiative (FII). Para esta quarta, estão programados os discursos dos principais oradores.

A conferência econômica de Riad foi boicotada por muitos políticos, empresários e diretores de grandes instituições ocidentais como manifestação da indignação provocada pelo caso Khashoggi, que abalou a imagem do príncipe. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.