REUTERS/Murad Sezer
REUTERS/Murad Sezer

Turquia condena 2 militares à perpétua por tentativa de golpe

O coronel e o comandante de Exército serviam em Erzurum, província onde nasceu o clérigo acusado de orquestrar o levante

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2017 | 16h59

ISTAMBUL - Um tribunal de Erzurum, no leste da Turquia, condenou nesta quinta-feira o coronel Murat Kolçak e o comandante do Exército Murat Yilmaz à prisão perpétua por sua participação no fracassado golpe de Estado do ano passado, informou o jornal Birgun.

Os militares serviam como altos comandantes em Erzurum, província onde nasceu o clérigo islamita Fethullah Gulen, a quem Ancara acusa de orquestrar o levante.

Essas são as primeiras condenações ditadas por um tribunal turco desde o golpe fracassado no último dia 15 de julho.

Ambos os militares eram usuários do aplicativo "Bylock", supostamente desenvolvido para permitir uma comunicação cifrada entre os seguidores Gulen, exilado nos Estados Unidos.

A imprensa da Turquia assinalou que cerca 55 mil pessoas usavam "Bylock" no país e todas elas são suspeitas de pertencer à rede do clérigo islamita.

Desde a tentativa de golpe, as autoridades turcas detiveram e suspenderam de seus cargos milhares de policiais, militares, juízes, professores e funcionários de diferentes repartições públicas, acusados de serem seguidores de Gülen.

Detenções. Ainda nesta quinta-feira, a Procuradoria de Ancara ordenou a prisão de 380 empresários, após emitir a mesma ordem em relação a 105 mulheres de oficiais do Exército turco por supostos vínculos com Gulen.

A operação contra os empresários é feita em 35 províncias da Turquia e estão sendo realizadas inspeções nos domicílios e escritórios dos suspeitos.

A polícia acredita que pelo menos 110 empresários dos 380 sob ordem de detenção se encontram fora do país. No caso das mulheres dos oficiais, até o momento foram detidas 74 pessoas em uma operação em 31 províncias, informou a agência de notícias semipública Anatólia.

Segundo a acusação, as mulheres supostamente fizeram transferências de dinheiro a funcionários públicos de altos cargos vinculados ao clérigo islamita.

Segundo a agência, 2 dos maridos são coronéis, 14 tenentes-coronéis, 40 comandantes, 40 capitães e o restante oficiais. A metade das suspeitas sob ordem de detenção está em Ancara e Istambul. / EFE

 

Mais conteúdo sobre:
TurquiaEstados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.