Turquia condena agressão contra seus seguranças durante visita de Erdogan a Washington

Governo americano diz que policiais tentaram conter guarda-costas turcos que batiam em manifestantes

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2017 | 17h51

ISTAMBUL - A chancelaria da Turquia apresentou nesta segunda-feira um protesto formal ao embaixador dos EUA em Ancara em razão dos atos "agressivos" do pessoal de segurança americano durante um violento confronto entre guarda-costas turcos e manifestantes durante a visita do presidente Recep Tayyip Erdogan a Washington no início do mês.

A convocação do embaixador americano, John Bass, ampliou a tensão diplomática entre a Turquia e os EUA após a violência. Imagens de vídeo circularam pelas redes sociais provocando ultraje nos EUA, pedidos de indiciamento dos guarda-costas turcos e até mesmo a expulsão do embaixador da Turquia em Washington.

 

Funcionários americanos e turcos apresentaram versões contraditórias sobre como começou o incidente. A polícia local disse que os seguranças turcos atacaram selvagemente um protesto pacífico em frente da casa do embaixador da Turquia em Washington durante visita de Erdogan.

Imagem de vídeo mostra o que parece ser seguranças turcos chutando e estrangulando manifestantes enquanto a polícia lutava para conter o confronto. As imagens também mostram Erdogan observando, à distância, enquanto ocorria a confusão.

Os críticos de Erdogan estão usando o incidente - similar ao que ocorreu durante a visita do presidente turco aos EUA no ano passado - como um exemplo de como o governo de linha dura reage aos protestos e à dissidência em casa.

No entanto, os diplomatas turcos acusaram a polícia local, alegando que ela fracassou em impedir um protesto "provocador" e "sem autorização".

O comunicado da chancelaria da Turquia vai ainda mais longe, criticando "a falta de capacidade das autoridades americanas de adotar precauções suficientes em cada etapa do programa oficial da visita de Erdogan. O ministério também exigiu uma "ampla investigação do incidente diplomático e o fornecimento das explicações necessárias". 

O ministério acusou o "pessoal de segurança dos EUA" de ações "agressivas e não profissionais" contra a equipe de proteção do chanceler turco, sem dizer o que ocorreu exatamente.

Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado, confirmou em um comunicado que o chanceler John Bass foi convocado para prestar esclarecimentos pelo Ministério de Relações Exteriores daTurquia "e discutir sobre o violento incidente envolvendo manifestantes e o pessoal de segurança turco no dia 16".

"Como dissemos anteriormente, a conduta do pessoal de segurança da Turquia na semana passada foi profundamente perturbadora", declarou Nauert. "O Departamento de Estado manifestou sua preocupação com relação a este evento aos mais altos níveis."

A troca de acusações ocorreu após o que pareceu ser um amigável encontro entre Erdogan e o presidente americano, Donald Trump, antes da violência no protesto. Em uma entrevista coletiva na Casa Branca após o encontro, os dois líderes fizeram elogios mútuos e falaram em "esperança de um relacionamento mais próximo e produtivo".

Mas o confronto trouxe à memória os vários conflitos políticos, principalmente sobre a guerra na Síria, que ampliou as tensões entre os dois países. A Turquia tem manifestado sua irritação pelo fato de o governo Trump ter armado os combatentes curdos, que lutam contra os jihadistas do Estado Islâmico em apoio aos EUA. Ancara diz que os combatentes são ligados ao Partido do Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é visto como um grupo terrorista pelo governo turco e pelos EUA.

Ativistas curdos estavam entre os que protestaram no dia 16 em Washington diante da residência do embaixador, segundo mostrou o vídeo do incidente. Alguns manifestantes levavam cartazes em apoio a Selahattin Demirtas, um dos líderes de um partido político pró-curdos que está preso e enfrenta julgamento na Turquia. Outros levavam bandeiras da Unidades de Proteção do Povo, YPG, grupo nos EUA que apóia a força curda que combate na Síria. 

Não está claro quem fez a gravação, mas os seguranças turcos, assim como homens de terno que integravam a comitiva de Erdogan, podem ser vistos atacando os manifestantes, incluindo um homem que chuta repetidamente outro homem que está no chão. / W. POST

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