Turquia confronta aliados por declarações sobre genocídio armênio

A Turquia interrompeu um exercício militar no Canadá e apontou para repercussões econômicas na França ao expressar seu descontentamento com a OTAN e seus aliados por afirmarem que os turcos cometeram um genocídio contra os armênios durante a 1ª Guerra Mundial. As manobras vieram em uma semana tensa para a diplomacia turca, que brevemente retirou seus embaixadores da França e do Canadá em protesto pelas recentes afirmações nestes países sobre as mortes dos armênios e um projeto de lei no Parlamento francês que torna crime negar o genocídio na Armênia. Os embaixadores retornaram na quinta-feira depois de quatro dias em Ancara. As ações diplomáticas mostram como esta questão é sensível para os turcos. Alguns países colocam os turcos no mesmo patamar que os alemães nazistas, uma classificação extremamente rejeitada pela Turquia e que não tornará os turcos mais populares em sua empreitada de se juntar à União Européia. A Turquia nega veementemente que o genocídio contra os armênios aconteceu e tem políticas governamentais para lutar contra tais afirmações com sanções diplomáticas e econômicas se necessário. O combate ao reconhecimento do genocídio tem sido uma longa batalha para a Turquia, que freqüentemente é forçada a confiar em ameaças diplomáticas e econômicas para manter sua reputação. A tática turca no momento é ignorar o Canadá econômica e politicamente e usar uma mistura de incentivos e ameaças à França. O Ministério do Exterior emitiu um comunicado dizendo que o Canadá não aprendeu nada com a "estagnação de relações entre os dois países", depois que o Parlamento canadense votou pelo reconhecimento das mortes de armênios como um genocídio. Por outro lado, a Turquia enviou uma delegação à Paris nesta semana. A Câmara de Comércio turca enviou uma carta advertindo sobre um boicote econômico. O primeiro ministro turco, Recep Tayyip Erdogan realizou uma reunião na quarta-feira com representantes de firmas francesas no país, na qual advertiu sobre sérios danos nas relações caso a questão do genocídio seja aprovada. A atenção às atitudes da França reflete duas realidades. O país é o maior investidor estrangeiro na Turquia, segundo o premier, além disso a Turquia pretende junta-se à UE e para isso precisa de seu apoio.

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