REUTERS/Umit Bektas
REUTERS/Umit Bektas

Turquia culpa Holanda por massacre em Srebrenica

Erdogan culpa o batalhão holandês que atuava sob a ONU de não ter impedido a matança cometida pelas tropas sérvias da Bósnia

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2017 | 20h27

ANCARA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou a tecer críticas contra a Holanda nesta terça-feira, em meio a uma crise diplomática com Amsterdã, ao afirmar que o país europeu foi responsável pelo pior assassinato em massa desde a 2ª Guerra – o Massacre de Srebrenica, na Bósnia, em 1995. O governo turco também rejeitou as críticas da União Europeia sobre a escalada de tensões diplomáticas com Holanda e Alemanha. 

Em um discurso televisionado, Erdogan referiu-se ao massacre de cerca de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, no leste da ex-república iugoslava durante a guerra civil no país, e culpou o batalhão holandês que atuava sob o comando das Nações Unidas, que não teria impedido o massacre levado a cabo pelas tropas sérvias da Bósnia.

“Conhecemos a Holanda do massacre de Srebrenica. Sabemos o quão podre é seu caráter pelo massacre de 8 mil pessoas ali”, disse Erdogan. 

O presidente turco tem subido o tom das críticas após a Holanda impedir dois ministros turcos de participarem de comícios no país durante o fim de semana. Ambos tentavam participar da campanha do referendo de 16 de abril que pode expandir os poderes de Erdogan no país. Cerca de 400 mil pessoas com laços turcos vivem na Holanda.

Anteriormente, Erdogan chamou a Holanda de “remanescentes nazistas” e os acusou de “fascismo.

A briga diplomática entre os dois países tem colocado em foco a cooperação entre a Turquia e a União Europeia em um grande número de frentes, desde o conflito na Síria à questão dos imigrantes. 

Ainda ontem, a chancelaria turca também criticou a diplomacia europeia, que pediu a Ancara “evitar falas excessivas” em sua crise diplomática com a Holanda. “A declaração irreflexiva da União Europeia não tem valor para nosso país”, declarou, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores turco. “A declaração da UE contém argumentos errôneos e combina diferentes agendas para tentar distorcer percepções.” /AP

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