Jamal Saidi/Reuters
Jamal Saidi/Reuters

Turquia dá ultimato a Assad contra repressão

Durante reunião em Damasco, chanceler turco exige que o líder sírio ordene o fim dos ataques a opositores, mas a violência continua na Síria

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Em uma das ações mais importantes no campo diplomático desde o início dos levantes na Síria, a Turquia, considerada uma aliada vital de Damasco, deu uma última chance ontem para que o regime de Bashar Assad interrompa imediatamente a violenta repressão aos opositores.

Uma missão composta por Brasil, Índia e África do Sul (membros do chamado Ibas) também tentará convencer o regime a conter a violência contra os manifestantes em encontro com autoridades sírias hoje em Damasco. A tentativa de diálogo contrasta com a atitude dos países árabes do Conselho de Cooperação do Golfo, que determinaram a retirada de seus embaixadores, elevando o isolamento sírio.

Os EUA e países da União Europeia devem voltar a pressionar por uma resolução no Conselho de Segurança hoje após o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentar um relatório endurecendo o tom contra o regime de Damasco no órgão decisório máximo das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, mais sanções unilaterais, incluindo a área petrolífera, considerada estratégica para a Síria, devem ser adotadas por europeus e americanos.

"Os acontecimentos nos próximos dias serão críticos tanto para a Síria quanto para a Turquia. Nosso objetivo é o fim do derramamento de sangue e da morte de civis", disse o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, depois do encontro com Assad, que durou mais de três horas. O representante também levou uma mensagem dura do premiê Recep Tayyip Erdogan ao líder sírio.

Depois de décadas de relações estremecidas por disputas territoriais, a Turquia e a Síria aproximaram-se durante a administração de Erdogan. Hoje, os turcos são um dos principais parceiros comerciais dos sírios e os dois países assinaram uma série de acordos. Nos últimos meses, o premiê turco tem demonstrado irritação com a violência do regime de Damasco e vem mantendo diálogo com opositores de Assad.

Repressão. A advertência turca, porém, teve pouco efeito e Assad afirmou depois do encontro que continuará "perseguindo os terroristas". Segundo o regime de Damasco, os manifestantes são milícias armadas. Analistas independentes dizem que a maioria dos opositores é pacífica, mas alguns grupos estão se armando e são responsáveis pela morte de integrantes das forças de segurança do governo.

A violência contra os insurgentes continuou ontem em diversas cidades do país. Tanques do Exército voltaram a atacar em Hama e em duas cidades próximas à fronteira com a Turquia, deixando pelo menos 22 mortos, segundo informaram grupos de defesa dos direitos humanos.

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