AFP PHOTO / UMIT TURHAN COSKUN
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Turquia debaterá reintrodução da pena de morte sem levar em conta adesão à União Europeia

Em entrevista à 'CNNTürk', ministro da Justiça afirma que discussões levarão em consideração 'os interesses do Estado e da nação' e diz que já enviou para os EUA as 'provas' de que o clérigo Fetullah Gülen organizou a tentativa de golpe

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2016 | 10h47

ANCARA - O governo da Turquia afirmou nesta sexta-feira que o debate sobre a reintrodução da pena de morte é uma questão nacional e não está preocupado com possíveis reações da União Europeia (UE) ou com o fato de que a decisão poderia bloquear a entrada do país no bloco comunitário.

"Nós não trabalhamos pensando como a UE vai reagir, mas como um Estado de direito", afirmou o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, em uma entrevista à emissora "CNNTürk".

O ministro voltou a lembrar que, após o fracassado golpe de Estado da semana passada, aconteceram manifestações maciças onde o povo pediu a reintrodução da pena de morte para os golpistas - a medida foi abolida no país definitivamente em 2004.

Bozdag rejeitou as advertências de Bruxelas de que um país que executa sentenças de morte pode entrar na UE. "Temos regulamentada a pena de morte. Acrescentamos um artigo à Constituição dizendo que não poderia ser reintroduzido. Nos aceitaram na UE? Não. Sempre encontram uma razão para não nos aceitar. Eles não terão dificuldade em encontrar uma desculpa para nos manter fora", disse o ministro.

Por isso, garantiu Bozdag, o Executivo não levará em conta as considerações da UE, mas sim "os interesses do Estado e da nação".

Bozdag também informou que foram enviadas para os Estados Unidos nesta sexta-feira o que qualificou como "provas" para embasar o pedido de prisão e extradição de Fetullah Gülen, clérigo islamita que vive nesse país desde 1999 e é acusado pelo governo turco de organizar o golpe.

Além disso, o ministro disse que o governo pretende usar ao mínimo o recurso dos decretos-lei que permite o estado de emergência que entrou em vigor no país na quinta-feira. / EFE

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