Turquia desafia EUA e adia decisão sobre bases

O governo da Turquia desafiou o ultimato dado pelos EUA e adiou para a semana que vem a decisão sobre a permissão para a entrada das tropas americanas no país, escolhido como uma das bases de lançamento de uma possível ataque ao Iraque. Os dois países divergem sobre a compensação financeira de Washington a Ancara pelos prejuízos que a guerra traria. O Parlamento turco - cujo aval é requerido pela Constituição, no caso de ingresso de forças estrangeiras no território - não se reunirá antes de terça-feira, a menos que haja uma convocação extraordinária. Mas o governo deixou claro que só enviará a proposta ao Parlamento depois de ter chegado a um acordo com os EUA.A questão motivou uma reunião urgente hoje entre o primeiro-ministro turco, Abdullah Gul, o presidente Ahmet Necdet Zezer e o chefe do Estado-Maior, Hilmi Ozkok. Gul anunciou que fará amanhã uma declaração sobre as negociações com os EUA.Apesar de o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ter declarado que esperava uma resposta de Ancara até o fim desta semana, Gul manteve sua negativa à proposta americana de US$ 6 bilhões em ajuda financeira e US$ 20 bilhões em empréstimos. A Turquia quer uma quantia maior, da qual pelo menos US$ 10 bilhões seriam em ajuda e, segundo The New York Times, possivelmente está incluindo na barganha o direito de acesso à produção de petróleo da região de Kirkuk, no norte do Iraque, e a presença militar turca no norte iraquiano, habitado pela minoria curda. A Turquia teme que uma revolta dessa etnia leve os curdos turcos a buscarem a independência.Powell insistiu em que a oferta dos EUA era a maior que o país poderia fazer. Mas, num sinal de que um acordo é possível, ele acrescentou que pode "haver algo criativo a ser feito para obter a aceitação da Turquia?. O chanceler turco, Yasar Yakis, deu a entender que as negociações estão chegando ao fim e o ministro da Economia, Ali Babacan, disse que a disputa poderia ser resolvida "dentro de alguns dias".Se não houver um acordo (o que é improvável), o Plano B americano para a invasão terrestre no norte do Iraque seria muito mais custoso. As tropas teriam de ser levadas à região por via aérea, a partir de outro país ou de navios ancorados no Golfo Pérsico.No IraqueO presidente iraquiano, Saddam Hussein, reuniu-se com seus principais assessores e comandantes militares para discutir a defesa do país e a preparação da população para a guerra. Pelo sexto mês consecutivo, a população recebeu cestas de alimentos em quantidade dobrada, como parte da operação para reforçar o estoque de comida para um longo conflito. Desde que a ONU impôs sanções comerciais ao país, em 1990, o governo distribui rações aos habitantes, empobrecidos pelas guerras e o embargo.O governo iraquiano entregou hoje aos inspetores de armas da ONU, em Bagdá, uma lista com 83 nomes de pessoas que participaram da destruição das armas químicas e das instalações para sua produção, e reiterou que isso ocorreu em 1991. O chefe da equipe, o sueco Hans Blix, solicitou também uma relação dos que tomaram parte na eliminação das armas biológicas que o Iraque alega não mais possuir. O objetivo dos inspetores é entrevistar essas pessoas para obter provas de que o arsenal foi mesmo destruído.

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