Turquia detém 40 por supostas ligações com rebeldes

A polícia da Turquia deteve nesta terça-feira cerca de 40 pessoas, dentre elas vários jornalistas, como parte de uma investigação sobre um grupo que, segundo promotores, teria ligação com rebeldes curdos. A agência privada de notícias Dogan disse que Mustafa Ozer, fotógrafo que trabalha para a agência de notícias francesa France Presse, e jornalistas de organizações de mídia curdas estão entre os presos.

AE, Agência Estado

20 de dezembro de 2011 | 11h22

Eric Baradat, editor-chefe da agência France Presse, confirmou que o fotógrafo foi detido, mas não forneceu maiores detalhes em razão das políticas da empresa.

Meios de comunicação turcos disseram que as prisões são parte de uma investigação lançada dois anos atrás. Desde então, centenas de ativistas curdos, dentre eles prefeitos eleitos, têm sido detidos sob a acusação de pertencer a um braço do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Os ativistas negam as acusações.

A agência oficial de notícias Anadolu informou nesta terça-feira que as ações foram dirigidas contra a ramificação de "mídia e a publicidade" da União dos Comitês do Curdistão.

O PKK, considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia, luta pela autonomia dos curdos na Turquia desde 1984.

A televisão estatal TRT disse que a polícia realizou ações simultâneas em Istambul e em outras seis cidades do país e que 40 pessoas foram presas. Elas serão interrogadas pela polícia antiterrorismo em Istambul.

Já a agência de notícias pró curdos Firat informou que pelo menos 25 pessoas foram levadas e que a maioria dos presos era de jornalista que trabalham para empresas de comunicação curdas, dentre elas a agência de notícias Dicle e o jornal Birgun.

As prisões desta terça-feira deve elevar as preocupações sobre a liberdade de imprensa na Turquia, país predominantemente muçulmano que pretende fazer parte da União Europeia. Alguns dos jornalistas presos são acusados de ajudar uma rede secularista linha-dura que, segundo promotores, planejaram a derrubada do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, cujo governo tem raízes islâmicas.

Os Estados Unidos e a União Europeia criticaram as medidas que limitam a liberdade de imprensa e pediram que o país revise suas leis antiterrorismo, que levaram às prisões de jornalistas assim como dezenas de estudantes.

No início deste ano, a polícia também deteve um acadêmico e um editor, além de advogados que trabalhavam para o líder do PKK, Abdullah Ocalan, que está preso. O julgamento do líder curdo não foi marcado. As informações são da Associated Press.

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