Murat Cetinmuhurdar/Presidential Press Office/Handout via REUTERS
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Turquia detém mais de 700 militares e funcionários públicos acusados de golpismo

Governo de Recep Tayyip Erdogan persegue seguidores do pregador Fethullah Güllen, responsabilizado pela tentativa de golpe de estado em 2016

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 07h08

ANCARA - Uma operação da polícia da Turquia resultou na prisão de mais de 700 funcionários públicos e militares no país. Os detidos são suspeitos de fazerem parte da fraternidade do pregador Fethullah Güllen, apontado pelo governo de Recep Tayyip Erdogan como responsável pela tentativa de golpe de estado em 2016.

Durante a madrugada desta terça-feira, 18, a polícia turca realizou incursões simultâneas em quase todas as províncias do país para cumprir várias ordem judiciais contra os suspeitos.

Em uma das operações, os alvos eram 71 empregados do Ministério da Justiça. Em outra, 201 membros das Forças Armadas, a maioria suboficiais do serviço ativo, em grande parte da Aeronáutica. Outra das ordens de prisão era direcionada a 467 pessoas que supostamente fraudaram um exame para cargos da polícia, em 2009.

Na última década, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla original), que governa a Turquia desde 2002, esteve aliado ao pregador Güllen. O partido de Erdogan permitiu que seguidores da fraternidade ocupassem diversos cargos importantes na administração pública. Nos postos, os 'güllenistas' facilitavam o acesso de correligionários, muitas vezes fraudando concursos públicos.

Ainda que ideologicamente próximos, o AKP e a fraternidade de Güllen se distanciaram em 2013, em uma disputa aberta que acabou com a tentativa falha de golpe de estado em 2016. Desde então, mais de 130.000 pessoas foram destituídas de seus cargos e mais de 50.000 foram presas preventivamente.

Atualmente, na Turquia, é ilegal fazer parte da fraternidade de Güllen. Seguidores do pregador são perseguidos pelo governo sob acusação de pertencer a uma organização terrorista, o que pode levar a condenação com prisão perpétua. / EFE

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