Turquia detém quatro acusados de atacar Consulado dos EUA

Homens armados abrem fogo contra policiais em prédio de Istambul; pelo menos seis morreram no incidente

Associated Press e Reuters,

10 de julho de 2008 | 09h14

Quatro suspeitos de participação no ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Istambul foram detidos nesta quinta-feira, 10, pela polícia turca, noticiou a mídia local. A informação, distribuída pela agência de notícias Dogan, é atribuída ao ministro de Interior da Turquia, Besir Atalay.   O ataque perpetrado na quarta-feira contra a representação diplomática americana resultou na morte de três policiais e de três agressores. Um dos participantes do ataque fugiu em um carro. Não está claro, no entanto, se algum dos quatro suspeitos detidos a pessoa que conseguiu escapar. A polícia afirma ter encontrado o veículo que os quatro atacantes poderiam ter usado para chegar ao consulado.   De acordo com testemunhas, quatro homens em um carro cinza estacionaram pela manhã próximo do prédio do consulado, que tem medidas rígidas de segurança. Alguns minutos depois, os homens saíram do carro em direção a um posto policial, localizado na entrada principal do consulado, e começaram a atirar. O ministro do Interior, Besir Atalay, afirmou que os atiradores eram turcos e disse que dois deles tinham ficha na polícia.   Erkan Kargin, um dos três homens que atacaram o consulado, viajou para o Afeganistão, de acordo com um oficial do governo que falou sob anonimato. A polícia e a agência de inteligência turca investigam se ele chegou a ter contato com a Al-Qaeda, embora ainda não existam provas.   Tanto Turquia quanto os EUA condenaram o ataque, qualificando-o como um ato terrorista. Autoridades turcas afirmaram que a Al-Qaeda seria responsável pelo atentado, mas o governo americano não confirmou a informação. Analistas ouvidos pela agência de notícias Associated Press afirmaram que o ataque não tem as principais características dos perpetrados pela rede de Osama bin Laden - ações coordenadas por homens-bomba com o objetivo de matar um grande número de pessoas.   Esse foi o primeiro atentado contra um alvo diplomático em Istambul desde 2003, quando 62 pessoas foram mortas em ataques coordenados contra o consulado britânico, um banco e duas sinagogas. A Turquia é cenário de constantes ataques reivindicados por vários grupos, incluindo esquerdistas, organizações de extrema-direita, separatistas curdos e militantes islâmicos.   O ataque aconteceu em um momento de tensão na Turquia - país de maioria islâmica com Constituição secularista, cujo Exército se considera guardião da república. Os militares mantêm uma disputa com o partido governista Justiça e Desenvolvimento (AKP) - de raízes islâmicas - sobre o papel da religião na vida pública. O AKP luta na Justiça contra acusações de que tenta estabelecer um Estado islâmico no país. Semana passada, um grupo de 21 ultranacionalistas foi preso em uma investigação sobre um complô golpista contra o governo.   Matéria atualizada às 11 horas.

Tudo o que sabemos sobre:
TurquiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.