Turquia dispara artilharia contra Síria

Um jornalista da agência Associated Press afirmou que a Turquia fez disparos de artilharia contra a Síria minutos, após uma bomba síria ter caído em território turco. A bomba avançou cerca de 200 metros dentro do país, nas proximidades da cidade fronteiriça de Akcakale, onde cinco civis foram mortos na semana passada. Neste domingo, ninguém ficou ferido.

AE, Agência Estado

07 de outubro de 2012 | 19h05

Pouco tempo depois, pelo menos seis morteiros foram disparados a partir da Turquia. Este é o quinto dia seguido em que a Turquia responde a ataques vindos da Síria. O prefeito de Akcakale, Abdulhaki Ayhan, confirmou a realização dos disparos de artilharia.

A televisão estatal síria informou que soldados entraram em confronto com dois grupos armados na noite de sábado e mataram vários de seus integrantes. Os grupos teriam entrado no país a partir do Líbano.

Os confrontos ocorreram nos subúrbios da cidade de Homs, localizada perto da fronteira libanesa. Segundo a televisão estatal, as forças sírias perseguiram os grupos, que voltaram ao Líbano.

De acordo com o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, tropas sírias intensificaram neste domingo sua ofensiva para retomar áreas nas cidades de Alepo e Homs e também em localidades nas proximidades da capital Damasco e em vilas perto da fronteira com a Jordânia. O grupo afirmou os ataques deixaram mortos e feridos, mas não divulgou números.

Vice

O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que o vice-presidente da Síria, Faruq al-Shara, é uma opção "de bom senso" para substituir o presidente Bashar Assad como chefe de um governo transitório, com o objetivo de encerrar a guerra civil no país.

"Faruq al-Shara é um homem de bom senso e consciência e ele não tem participado dos massacres na Síria. Ninguém conhece o sistema (sírio) melhor do que ele", afirmou Davutoglu no sábado na televisão pública TRT.

O ministro turco destacou que a oposição síria "está inclinada a aceitar Shara" como o futuro líder do governo sírio. O ministro, que é o sunita com maior visibilidade no governo liderado pela minoria alawita, tem a confiança do regime e foi ministro de Relações Exteriores por 15 anos antes de se tornar vice-presidente, em 2006.

Há relatos de que seu pedido de demissão em agosto foi negado por Damasco, mas alguns líderes opositores dizem que, aparentemente, ele está em prisão domiciliar.

Davutoglu afirmou estar convencido de que o vice-presidente ainda está na Síria. As relações entre Ancara e Damasco, que se tornaram tensas desde o início da revolta na Síria em março de 2011, pioraram ainda mais depois que bombas disparadas pela Síria mataram cinco moradores de uma vila turca.

A Turquia, que compartilha uma fronteira de 900 quilômetros com a Síria e abriga cerca de 100 mil refugiados sírios em seu território, apoia abertamente os rebeldes do Exército Livre Sírio e pede a renúncia de Assad. As informações são da Associated Press e da Dow Jones

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