Turquia diz que 2,4 mil sírios cruzaram a fronteira temendo violência

Apenas na última madrugada, mil refugiados teriam cruzado limite entre os países

BBC

09 de junho de 2011 | 12h39

ANCARA - O Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse nesta quinta-feira que mais de 2,4 mil pessoas cruzaram a fronteira do país vindos da Síria nos últimos dias, temendo um ataque de tropas de Damasco contra a cidade síria de Jisr Al-Shughour.  

 

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Acredita-se que, apenas entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, cerca de mil pessoas vindas da Síria teriam atravessado a fronteira com a Turquia, agravando a crise que se instalou na região.

Muitos temem o ataque em Jisr Al-Shughour em resposta ao assassinato de 120 integrantes de forças de segurança nesta semana. Damasco diz que eles foram mortos por gangues armadas, mas outros relatos dizem que os choques começaram com a deserção de vários soldados.

Testemunhas dizem que 30 mil soldados estão concentrados próximo a Jisr Al-Shughour, que está cercada por 13 ou 14 tanques.

Governo

O governo sírio diz que enviou os soldados em resposta a um pedido da população local, que deseja a restauração da ordem.

A porta-voz do ministério de Informação da Síria Reem Haddad disse que rebeldes armados cortaram as vias de acesso a Jisr Al-Shughour.

"Nenhum país no mundo permitiria isso. O governo tem uma presença e ela precisa se fazer sentida", disse ela.

Haddad negou que há um fluxo de refugiados, dizendo que a movimentação na fronteira turca seria normal.

O governo turco disse que vai continuar permitindo a entrada de sírios que fogem da violência no país.

O correspondente da BBC Owen Bennett-Jones, na cidade turca de Guvecci, vizinha à fronteira síria, disse que muitos sírios estão escondidos em bosques e campos, esperando para ver qual será o grau de violência dos soldados do regime antes de buscar refúgio na Turquia.

Diplomacia

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que mais de mil pessoas foram mortas desde o início dos protestos pró-democracia na Síria, inspirados nos levantes que derrubaram os governos de Egito e Tunísia.

No entanto, a situação no país não pode ser confirmada de forma independente porque a Síria vem impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros.

O papa Bento 16 e a alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, pediram para que o governo sírio não ataque seu próprio povo. Pillay disse que Damasco está travando uma guerra contra seu próprio povo.

Nesta quinta-feira, a Rússia disse ser contra a proposta levada por França e Grã-Bretanha à ONU de resolução condenando a opressão do governo sírio aos opositores.

O porta-voz da chancelaria russa Alexander Lukashevich disse que Moscou seria contra tal resolução porque a situação na Síria não ameaça a paz e a segurança internacionais. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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