AP Photo/Manu Brabo
AP Photo/Manu Brabo

Turquia diz que crise de imigrantes vai piorar se ataques na Síria não forem interrompidos

Ancara se diz comprometida com cessar-fogo acertado entre EUA e Rússia; ONU anuncia a criação de rede com 20 centros de assistência para crianças e famílias refugiadas na Europa

O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2016 | 12h18

ANCARA - A Turquia acredita que a crise de imigrantes vai piorar a menos que os ataques realizados pelas forças do governo sírio sejam interrompidos, disse um porta-voz e assessor do presidente turco, Tayyip Erdogan, nesta sexta-feira, 26. Ibrahim Kalin também afirmou que o governo da Turquia deportou 3.800 pessoas como parte dos esforços de combate ao Estado Islâmico.

Segundo o porta-voz de Erdogan, o país apoia o cessar-fogo marcado para a zero hora deste sábado, mas tem sérias dúvidas de que a medida surtirá efeito na tentativa de reduzir a violência no país. "A principio, apoiamos este cessar-fogo, mas infelizmente temos sérias dúvidas sobre o futuro deste plano na medida em que os confrontos continuam ocorrendo", afirmou Kalin.

O governo sírio se comprometeu a cumprir o plano acertado entre Estados Unidos e Rússia. Além disso, a principal aliança de oposição ao governo de Bashar Assad também se disse pronta para a trégua de duas semanas, vista por eles como uma forma de testar as intenções do governo sírio.

Refugiados. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Unicef estabelecerão uma rede de 20 centros especializados de assistência para crianças e famílias refugiadas em toda a rota que vai das ilhas gregas até seus destinos no norte da Europa.

Os centros, denominados "Blue Dots" (pontos azuis), oferecerão um espaço seguro para as crianças e suas famílias, e serviços vitais como controles médicos, áreas de jogos, assistência psicossocial, aconselhamento legal e conexão à internet. Os centros estarão situados em pontos fronteiriços e onde houver centros de registro.

Alguns dos centros já estão em funcionamento e outros estarão muito em breve nas ilhas do Mar Egeu onde chegam os refugiados - a maioria sírios - que provêm da Turquia. Além disso, haverá centros em Gevgelia, na fronteira sul e um em Tabanovce, na fronteira norte da Macedônia.

Na Sérvia haverá centros em Presevo e Miratovac (na fronteira sul) e Sid e Adasevci (na fronteira norte); na Croácia haverá um na cidade de Svravonski; e na Eslovênia será aberto um em Dobova, no sul, e outro em Shentia, no norte.

A ideia é que durante toda a rota desde o Mediterrâneo até os países do norte europeu os refugiados contem com pontos de referência onde possam ser atendidos. Atualmente dois terços dos refugiados em rota na Europa são mulheres e crianças.

Os centros terão como meta também identificar os menores que viajam sozinhos, para tentar reuni-los com suas famílias. Só ano passado, 90 mil menores desacompanhados se registraram e solicitaram asilo na Europa, especialmente na Alemanha e na Suécia. / REUTERS e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
TurquiaGréciaImigração

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.