Turquia diz que fala do Papa sobre genocídio gerou 'perda de confiança'

A Turquia considerou que houve perda de confiança na relação com o Vaticano depois que o Papa Francisco falou que o assassinato de armênios por turcos otomanos foi "o primeiro genocídio do século 20".

Estadão Conteúdo

12 de abril de 2015 | 12h13

A Turquia, que sempre negou que tenha havido genocídio, imediatamente convocou o embaixador no Vaticano para expressar sua desaprovação.

Em um comunicado após a reunião, a Turquia diz que a fala do Papa contradiz sua própria mensagem de paz e diálogo transmitida durante uma visita à Turquia em Novembro. O texto do ministério de Relações Exteriores expressa ainda "grande desapontamento e tristeza".

A Turquia considerou ainda que a mensagem do Papa foi discriminatória. O comunicado alega que o Papa destacou o sofrimento de armênios cristãos e não de muçulmanos e outros grupos religiosos.

O Papa Francisco celebrou missa seguindo o ritual católico armênio na Basílica de São Pedro ao honrar o centenário do assassinato de armênios. O Pontífice, que tem laços próximos com a comunidade armênia desde seus dias na Argentina, defendeu seu pronunciamento dizendo que é seu dever honrar a memória de homens, mulheres, crianças, padres e bispos inocentes que foram assassinados "sem sentido".

"Ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida continue sangrando sem fazer um curativo", disse ele no início da missa de domingo.

Historiadores estimam que em torno de 1,5 milhão de armênios tenham sido mortos por turcos otomanos durante o período da Primeira Guerra Mundial, um evento amplamente visto por estudiosos como o primeiro genocídio do século 20. Vários países europeus reconhecem que o massacre foi um genocídio, embora a Itália e os Estados Unidos evitem usar esse termo oficialmente, dada a importância que dão à Turquia como um aliado. Fonte: Associated Press.

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