AP Photo/Burhan Ozbilici
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Turquia diz que negociações com Rússia sobre conflito na Síria estão avançando

Crise humanitária forçou 900 mil cidadãos a abandonarem suas casas desde dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 08h27

ANCARA - O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou nesta quinta-feira, 20, que existe uma aproximação com a Rússia nas negociações sobre o conflito na região de Idlib, no noroeste da Síria, um dos últimos redutos da resistência ao governo de Bashar al-Assad. As declarações ocorrem um dia após os turcos terem afirmado que atacariam a Síria. 

O presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou na quarta que uma operação militar turca em Idlib para rechaçar uma ofensiva do governo sírio liderada pela Rússia, que deslocou 900 mil pessoas, era uma "questão de tempo", uma vez que as negociações não tinham prosperado. 

Em entrevista à emissora TRT Haber, Cavusoglu disse que Turquia e Rússia intensificarão suas negociações nos próximos dias e afirmou que os dois presidentes podem tratar do assunto para encerrar a disputa. 

Na prática, os dois países podem organizar possíveis patrulhas conjuntas em Idlib como uma opção para garantir a segurança na região. Em condição de anonimato, um oficial turco afirmou à agência Reuters que representantes de Irã, Turquia e Rússia planejam se reunir em Teerã no início do próximo mês para discutir a questão. 

"A Rússia manteve sua posição de que a Turquia deve se retirar de Idlib e abandonar seus postos de observação", afirmou o oficial, dizendo que nenhuma das duas ações está na agenda turca. 

A Rússia já afirmou que uma ofensiva turca contra Idlib seria o "pior cenário" e que trabalharia para impedir que a situação piorasse. O Irã, que também apoia Assad, afirmou estar pronto para mediar o conflito entre Síria e Turquia. 

Conflito de nove anos 

Turquia e Rússia, que apoiam lados opostos no conflito que já dura nove anos, não conseguiram chegar a um acordo após duas rodadas de negociações nas últimas duas semanas.

Uma ofensiva do governo sírio para reconquistar as últimas resistências rebeldes no noroeste da Síria levou a alguns dos confrontos mais sérios entre Ancara e Damasco. A Turquia enviou milhares de tropas e comboios de armas pesadas para a área de fronteira.

O país liderado por Erdogan recebeu cerca de 3,7 milhões de refugiados sírios desde o início da guerra e diz que a situação não pode continuar, por isso fechou a fronteira. / REUTERS E AFP

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