Turquia diz que oficiais desertaram da Síria

Agência de notícias estatal informa que 73 militares do regime cruzaram a fronteira em busca de refúgio, incluindo 7 generais e 20 coronéis

ANCARA, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 02h06

A Anatólia, agência de notícias estatal turca, informou ontem que 73 militares sírios - incluindo 7 generais e 20 coronéis - desertaram com suas famílias em busca de refúgio na Turquia. Segundo a agência, o grupo de 202 pessoas chegou à cidade fronteiriça de Reyhanli e foi levado para um campo de refugiados que abriga militares que abandonaram o Exército sírio.

A agência, no entanto, não informou quando eles cruzaram a fronteira. A chancelaria turca e autoridades locais não comentaram o caso. As deserções foram divulgadas após a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de enviar armas letais aos rebeldes sírios após obterem - segundo Washington - provas conclusivas de que Damasco usou armas químicas contra dissidentes.

O regime sírio acusou ontem os EUA de adotarem "métodos banais" para justificar a decisão de armar os rebeldes. Uma nota da chancelaria da Síria, divulgada pela agência oficial Sana, afirmou que as declarações da Casa Branca estão "cheias de mentiras e têm como base informações falsas".

A nota da chancelaria síria acusou Obama de exercer dois pesos e duas medidas em seu tratamento ao terrorismo, ao incluir os extremistas da Frente al-Nusra na lista de organizações terroristas, mas apoiar o grupo com armas e dinheiro.

Reação. Ontem, a Coalizão Nacional Síria (CNS) recebeu com "satisfação" a decisão dos EUA de armar os rebeldes. Em comunicado, a principal aliança da oposição síria afirmou que a medida "deveria ser estratégica e decisiva para dar fim à violência e alcançar uma solução política que contemple as aspirações dos sírios". "Foi um passo importante", disse a CNS, em nota.

No entanto, nem todos aprovaram o envio de armas dos EUA à Síria. A Rússia disse que as alegações americanas sobre o uso de armas químicas na guerra "não são convincentes". Yuri Ushakov, assessor do presidente Vladimir Putin, afirmou que a decisão de Obama prejudica os esforços para organizar uma conferência de paz. Ainda assim, ele garantiu que a medida não acelerará o envio de mísseis antiaéreos S-300 à Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou a decisão de Obama. Segundo ele, armar qualquer uma das partes envolvidas no conflito sírio "não beneficia ninguém".

"A via militar leva diretamente a uma desintegração maior do país, à desestabilização da região e ao aumento das tensões religiosas e comunitárias", disse Ban. "É claro que entregar armas a qualquer uma das partes não resolverá a situação atual. Não existe uma solução militar."

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defendeu ontem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para adotar uma posição conjunta do órgão após a decisão americana de armar os rebeldes e diante das evidências de que o regime de Bashar Assad usou armas químicas.

No Líbano, país diretamente afetado pela guerra civil na Síria, Hassan Nasrallah, chefe do Hezbollah, movimento xiita que participa nos combates em apoio a Assad, afirmou que o grupo continuará envolvido mesmo após a ajuda americana. / REUTERS e AP

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