Turquia diz que verá unidade militar síria como ameaça

A Turquia alertou nesta terça-feira que qualquer unidade militar síria que se aproxime de sua fronteira será tratada como uma ameaça direta, em mais um sinal da crescente tensão entre os dois países depois que forças sírias abateram um avião militar turco na semana passada.

AE, Agência Estado

26 de junho de 2012 | 10h38

Os aliados da Turquia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expressaram solidariedade a Ancara e condenaram o ataque sírio, mas não fizeram menção de ações retaliatórias contra a Síria.

"As regras de procedimento das Forças Armadas turcas mudaram", disse o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, em discurso transmitido pela TV local. "Qualquer elemento militar vindo da Síria que se aproxime da fronteira com a Turquia e represente risco e perigo à segurança será considerado uma ameaça e tratado como alvo militar", afirmou.

A Síria alega que o jato turco violou seu espaço aéreo na última sexta-feira. Já a Turquia diz que, embora o caça-bombardeiro RF-4E tivesse invadido o espaço aéreo do país vizinho acidentalmente, a aeronave sobrevoava áreas internacionais quando foi derrubado pela Síria no Mediterrâneo. Os dois pilotos do avião continuam desaparecidos.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, classificou hoje o abate do jato de inaceitável depois de a Turquia fazer seu relato sobre o incidente ao conselho da organização e ofereceu solidariedade aos turcos, mas não falou sobre possíveis ações armadas contra a Síria.

A Síria convive com uma grave onda de violência desde março do ano passado, quando teve início um levante popular para a deposição do presidente Bashar Assad, cuja família controla o país há mais de quatro décadas. Combates entre rebeldes e forças leais ao governo já teriam deixado mais de 14 mil mortos no país nos últimos 16 meses.

"A minha expectativa é que a situação (entre a Síria e a Turquia) não continuará a ganhar maiores proporções", disse Rasmussen a repórteres, após a reunião com a Turquia. "O que vimos é um ato completamente inaceitável e espero que a Síria tome todas as medidas necessárias para evitar novos eventos do tipo no futuro."

Erdogan alega que a Síria derrubou o avião turco, que estava desarmado, sem aviso e num ato "deliberado" e "hostil". Damasco, por sua vez, diz que o abate foi um acidente causado pela "resposta automática" de um oficial que comandava uma posição antiaérea e que avistou um jato não identificado voando em alta velocidade e a baixa altitude. As informações são da Associated Press.

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