Step News Agency, via AP
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Turquia diz que violações de trégua ameaçam processo de paz na Síria

Ministro das Relações Exteriores Mevlut Cavusoglu diz que nova rodada de negociação para conseguir a paz na Síria, prevista para o dia 23 de janeiro, podem ser afetas por conflitos no país

O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2017 | 10h48

ANCARA - O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, advertiu nesta quarta-feira, 4, que a nova rodada de negociações para conseguir a paz na Síria, prevista para o dia 23 de janeiro em Astana, no Casaquistão, pode estar ameaçada em razão das violações do cessar-fogo atual, que está vigente desde o dia 30 de dezembro.

"Vemos violações do acordo de cessar-fogo. Se não conseguirmos evitar que aumentem, elas podem afetar o processo em Astana", declarou Savusoglu à agência estatal turca Anadolu. O chefe da diplomacia turca acrescentou que seu país e a Rússia trabalham em um novo acordo de sanções contra os grupos que violam a trégua.

O ministro acusou as forças que apoiam o regime do presidente sírio Bashar Assad, em particular o grupo libanês Hezbollah, de violar a interrupção da violência. Ao mesmo tempo, Cavusoglu pediu ao Irã que cumpra com sua responsabilidade e exerça sua influência nos grupos xiitas que apoiam o regime.

Por outro lado, o ministro turco ressaltou que Moscou aceita a condição de Ancara de não permitir que o Partido da União Democrática (PYD, sigla em curdo) e seu braço armado, as milícias curdo-sírias Unidades de Proteção do Povo (YPG, sigla em curdo), apoiadas pelos EUA, participem das conversas em Astana.

"A ONU participará em Astana. Também decidimos que os EUA participarão", acrescentou Cavusoglu. Além disso, o ministro turco acrescentou que uma missão de funcionários russos estará na Turquia nos próximos dias 9 e 10 para discutir e preparar as condições das conversas de paz no Casaquistão.

Segundo o jornal "Hürriyet Daily News", que teve acesso aos documentos do cessar-fogo, Turquia e Rússia estabelecerão postos de controle na Síria para monitorar a trégua. "Os garantidores estabelecerão postos de controle em áreas residenciais próximas às linhas de frente para garantir o cumprimento do cessar-fogo", diz o acordo datado em 29 de dezembro, ao qual teve acesso a publicação. / EFE

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