Turquia é acusada de delatar espiões de Israel para o Irã

'Washington Post' diz que turcos enviaram nomes após ordem de Erdogan; Ancara nega e diz sofrer 'campanha difamatória'

O Estado de S.Paulo - Reuters

18 de outubro de 2013 | 02h14

JERUSALÉM - A relação entre Israel e Turquia sofreu um novo revés, desta vez em razão de denúncias de traição no submundo da espionagem. Segundo reportagem publicada pelo Washington Post, a inteligência turca entregou ao Irã uma lista de cidadãos iranianos que vinham colaborando com espiões israelenses. Ancara rebateu ontem as acusações, dizendo ser alvo de uma campanha de difamação por parte de países que não aceitam o crescimento de sua influência.

O jornal americano noticiou que agentes do Mossad estavam mantendo contatos com iranianos em território turco, com o conhecimento do serviço de inteligência local. No entanto, no início do ano passado, em meio à piora nas relações entre Tel-Aviv e Ancara, o governo do premiê Recep Tayyip Erdogan teria deliberadamente exposto ao Irã a operação israelense.

As relações entre Turquia e Israel começaram a piorar com a guerra de 2008-2009 na Faixa de Gaza. As tensões se aprofundaram em 2010 com a morte de oito cidadãos turcos a bordo de um navio que seguia para o território palestino, mas foi interceptado por comandos israelenses em alto mar.

Quando esteve em Israel, no início do ano, o presidente Barack Obama mediou uma reaproximação entre os dois antigos aliados. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, finalmente pediu desculpas pelo ataque contra a flotilha.

De acordo com o colunista David Ignatius, do Washington Post, apesar da tensão, os agentes israelenses continuaram a operar até 2012 um canal de espionagem contra o Irã desde a Turquia, permitindo que o serviço de inteligência turco monitorasse os contatos. No entanto, por decisão de Erdogan, os espiões turcos teriam revelado para Teerã as identidades de pelo menos dez iranianos que haviam sido recrutados por Israel.

Do assassinato de físicos nucleares iranianos em Teerã a ataques contra a rede de computadores do programa atômico, acredita-se que agentes israelenses mantenham intensas atividades de espionagem contra a república islâmica. Jornais iranianos regularmente publicam histórias de espiões de Israel "desmascarados".

Fontes turcas disseram que as acusações de traição buscam sabotar a ascensão de Ancara. "A Turquia é uma potência regional e há centros de poder que estão desconfortáveis com isso. Histórias como essa são parte de uma campanha", disse uma autoridade do partido do primeiro-ministro, o Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), à agência de notícias Reuters. A fonte turca também culpou forças que querem minar a distensão com o Irã, em curso desde a eleição do presidente Hassan Rohani.

O governo israelense não se manifestou oficialmente. O vice-chanceler, Zeev Elkin, apenas disse que as relações com a Turquia "são complexas". Autoridades turcas já haviam se irritado com uma reportagem, publicada na semana passada no Wall Street Journal, segundo a qual o chefe da inteligência da Turquia, Hakan Fidan, estava repassando informações secretas ao Irã.

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