Turquia e EUA acertam plano para criar área livre de jihadistas na Síria

A Turquia e os EUA concordaram com os termos gerais de um plano que envolve aviões de guerra americanos, insurgentes sírios e forças turcas trabalhando juntos para expulsar o Estado Islâmico (EI) de uma faixa de terra ao longo da fronteira síria-turca, afirmaram fontes de Washington e de Ancara ao jornal The New York Times.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2015 | 02h02

O plano criaria uma espécie de "zona de segurança" livre de jihadistas de cerca de 90 km que seria controlada por milícias rebeldes como um corredor seguro para refugiados sírios. A Turquia tem, atualmente, cerca de 1,8 milhão de refugiados sírios em seu território.

Enquanto muitos detalhes ainda precisavam ser determinados, incluindo o tamanho exato dessa faixa de terra, o plano já era considerado uma intensificação significativa da ação militar americana e turca contra o EI no país, assim como a coordenação de forças americanas com os insurgentes sírios em terra.

O Times disse ter ouvido quatro funcionários do governo americano nos últimos dias sobre o plano, todos falaram sob condição de anonimato. "Estamos falando com a Turquia sobre cooperação para apoiar parceiros em terra no norte da Síria que estão combatendo o EI", afirmou uma dessas fontes.

Membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Turquia integra a coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico, mas vinha demonstrando relutância contra o movimento. No entanto, o país deu uma guinada na semana passada ao permitir que os americanos e outros aliados usassem suas bases aéreas para bombardear alvos na Síria ligados aos radicais sunitas.

Desafios. O novo plano, no entanto, enfrenta velhos desafios que Washington tem confrontado com sua política americana relacionada à Síria. Enquanto os EUA estão focados no combate ao EI, os insurgentes sírios e turcos veem a derrubada do presidente sírio, Bashar Assad, como seu primeiro objetivo.

Independentemente de seu objetivo, o plano colocará americanos e aliados da coalizão internacional mais próximos de áreas onde forças sírias regularmente promovem bombardeios. De acordo com o jornal, não está claro como os americanos reagirão se aviões sírios atacarem seus parceiros em solo.

O jornal lembrou ainda que 60 insurgentes sírios têm sido formalmente treinados pelos EUA em um programa do Pentágono, mas Washington não deixou claro quantos e quais insurgentes sírios serão envolvidos na nova operação.

Funcionários do governo turco e líderes da oposição síria citados pelo jornal têm descrito o acordo como algo muito próximo que eles têm procurado na luta contra o governo Assad: uma "área de exclusão aérea" na Síria perto da fronteira turca. O objetivo seria frear os ataques aéreos das forças sírias em áreas dos rebeldes e permitir o retorno de refugiados sírios em campos na Turquia.

Por outro lado, segundo o jornal, americanos negam que o plano seja direcionado contra Assad. Eles negaram também que o plano inclua uma "área de exclusão aérea".

A imprensa turca, por sua vez, noticiou que se a área abranger uma região de pelo menos 40 km, ela alcançaria importantes cidades para o Estado Islâmico, como Dabiq e Manbij.

Incluiria também a cidade de Al Bab onde, na últimas semanas, segundo relatos de ativistas, aviões sírios teriam despejado bombas de barril matando dezenas, incluindo civis. / NYT e REUTERS 60

insurgentes opositores ao

regime de Bashar Assad

têm sido treinados pelos EUA

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