AFP PHOTO / ADEM ALTAN
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Turquia e Israel retomam oficialmente relações diplomáticas após 6 anos de tensões

Países selam reconciliação após período tenso em razão do ataque israelense à Frota de Gaza, que deixou 10 ativistas turcos mortos

O Estado de S. Paulo

27 Junho 2016 | 11h21

ANCARA - Turquia e Israel chegaram nesta segunda-feira, 27, a um acordo para retomar suas relações diplomáticas e intercambiar embaixadores o mais rápido possível, anunciou o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim.

O pacto, anunciado no domingo, sela a reconciliação entre os dois países após seis anos de tensões, causadas pelo ataque israelense à pequena Frota de Gaza, no qual morreram 10 ativistas turcos.

O texto será assinado na terça-feira pelo subsecretário das Relações Exteriores turco, Feridun Sinirlioglu, atualmente reunido em Roma com a delegação israelense, e depois será aprovado pelo Parlamento, sendo que os embaixadores poderão retomar suas atividades, anunciou Yildirim. A troca de embaixadores poderá acontecer "dentro de semanas", precisou.

O líder turco lembrou que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, já se desculpou pelo ataque em 2013 e confirmou que Israel pagará uma quantia total de US$ 20 milhões como compensação às famílias das vítimas do ataque.

Cumpridas essas duas condições impostas pela Turquia, o que mais atrasou o acordo foi pactuar a terceira, o levantamento do bloqueio israelense a Gaza, finalmente resolvida mediante uma flexibilização que permite à Turquia enviar ajuda humanitária e construir infraestruturas na região.

Nesta mesma sexta-feira sairá da Turquia uma embarcação com 10 mil toneladas de ajuda humanitária, coordenada pela Afad, a agência turca governamental de emergências, que desembarcará sua carga no porto israelense de Ashdod, anunciou Yildirim.

Além disso, em breve será finalizada a construção de um hospital com 200 camas em Gaza e serão iniciados projetos de moradia pública e a criação de uma zona industrial em Jenin, na Cisjordânia.

O primeiro-ministro ressaltou que, em todo caso, a Turquia seguirá defendendo o direito dos palestinos de estabelecer um Estado próprio.

"Já falamos com as famílias. Se for necessário, voltaremos a falar", indicou, em aparente referência a um comunicado da ONG turca IHH, organizadora da pequena Frota de 2010, que criticou o acordo, lamentando que pretende colocar um fim ao julgamento em Istambul contra os altos cargos israelenses responsáveis pelo ataque.

Yildirim não confirmou ou desmentiu este extremo e se limitou a repetir que falará com as famílias. Rejeitou também que a ajuda humanitária enviada ao porto de Ashdod equivalha a "reconhecer o embargo", e insistiu que se trata de uma "tragédia humanitária" na qual a Turquia se propõe a "ajudar as pessoas, sem se importar com o que os outros dizem".

O primeiro-ministro ressaltou que, em todo caso, a Turquia seguirá defendendo o direito dos palestinos de estabelecer um Estado próprio. 

Reação. Membros do movimento islamista Hamas rejeitaram nesta segunda-feira o pacto entre Israel e Turquia. "O Hamas não aceita e nem abençoa o acordo que a Turquia alcançou com a Ocupação israelense (Israel), e o movimento não tem relação com ele. É uma decisão turca que rejeitamos", escreveu um veterano membro do grupo, Osama Hamdan, em sua página do Facebook ao mesmo tempo em que insistiu que o Hamas "renova suas objeções à normalização com a Ocupação".

Por sua vez, Sami Abu Zuhri, o porta-voz oficial do movimento islamista palestino, não quis dar uma resposta oficial ao pacto, embora tenha garantido que durante o dia será divulgado um comunicado. No fim de semana, dirigentes do Hamas visitaram Ancara para ficar a par do acordo.

O analista palestino Mustafá Sawaf comentou em sua coluna do jornal Falastine (Palestina), pró-Hamas, que apesar de o movimento islamista "não estar satisfeito com o acordo porque não levanta total e completamente o bloqueio israelense imposto sobre Gaza há 10 anos, considera que o relaxamento e alívio do mesmo são uma conquista positiva para sua total eliminação".

"O Hamas ainda mantém bons laços com a Turquia e espera poder seguir ajudando e colocando mais pressão em Israel no futuro para levantar completamente o bloqueio", afirma. /EFE

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