Turquia e Síria ampliam retaliações quanto ao espaço aéreo

Depois de a Síria proibir aviões turcos de sobrevoarem seu território, agora foi a vez de a Turquia fazer o mesmo.

BBC Brasil, BBC

14 de outubro de 2012 | 12h33

Aeronaves sírias foram proibidas de entrar no espaço aéreo turco, disse neste domingo o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

A proibição segue as mesmas restrições impostas pela Síria, após um avião sírio, supostamente carregando munição russa, ter sido interceptado pela Turquia.

A retaliação turca foi decidida e relatado à Síria na noite de sábado, mas apenas se tornou pública no domingo.

A medida se aplica a aeronaves civis, já que aeronaves militares já haviam sido proibidas, disse um funcionário do ministério.

Do lado síria, a decisão de proibir aviões comerciaios turcos no espaço aéreo foi tomada dias depois de a Turquia ter interceptado um avião civil que fazia a rota Moscou-Damasco e encontrado munição e equipamento de defesa de fabricação russa na aeronave.

A Turquia alegou que a munição seria usada pelo Exército sírio, o que a Síria nega.

A Turquia já havia recomendado a suas próprias companhias aéreas civis que evitassem o espaço aéreo sírio por precaução.

Na televisão

O Ministério do Exterior sírio fez o anúncio na televisão estatal afirmando que a proibição seria aplicada a partir da meia-noite (hora local) de sábado e era uma retaliação à medida interceptação do avião síria pelo governo turco.

A Turquia havia informado que vai continuar a interceptar aeronaves civis da Síria se suspeitar que elas levam carga militar.

A tensão entre a Síria e a Turquia aumentou nos últimos dias devido a uma série de incidentes na fronteira entre os dois países.

Na semana passada, durante vários dias, ocorreram disparos na região depois que cinco civis turcos foram mortos por disparos vindos da síria.

O governo da Turquia tem dado apoio à oposição síria e já pediu a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Reunião

O enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Lakhdar Brahimi, se reuniu neste sábado na Turquia com o ministro do Exterior do país, Ahmet Davutoglu, para discutir a crescente tensão entre os dois países.

Segundo James Reynolds, correspondente da BBC na Turquia, não eram esperados resultados mais decisivos a partir desta reunião, que também contou com a participação do ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle.

"É importante que ninguém jogue petróleo no fogo. Estamos contando com a moderação", disse Westerwelle de acordo com a agência de notícias AFP.

Ainda neste sábado, o presidente turco, Recep Tayip Erdogan, disse em uma conferência em Istambul que o fracasso das medidas da ONU para a Síria deu ao presidente Bashar al-Assad o sinal verde para matar dezenas ou centenas de pessoas diariamente no país.

O correspondente da BBC afirma que a Turquia pode não estar em guerra com a Síria, mas está cada vez mais envolvida no conflito do país vizinho.

O presidente Bashar al-Assad acusa a Turquia, junto com a Arábia Saudita e o Catar, de fornecer armas para os rebeldes.

Mas, a Síria também afirma que está pronta para estabelecer um comitê conjunto para supervisionar a segurança na fronteira entre os dois países.

Sem plano de paz

A visita de Brahimi à Turquia ocorreu um dia depois de sua viagem à Jeddah, na Arábia Saudita, onde se encontrou com autoridades do país.

O vice-ministro do Exterior saudita, Abdel Aziz bin Abdullah, teria pedido o "fim imediato do derramamento do sangue do povo sírio".

Mas, a visita do enviado da ONU e da Liga Árabe não significa um novo plano de paz, segundo James Reynolds.

De acordo com Reynolds, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sugeriu que Brahimi pode ir até Damasco na próxima semana se as reuniões na região forem bem.

E, ainda neste sábado, a imprensa estatal do Irã, país que é um dos grandes aliados da Síria na região, informou que Brahimi deve visitar Teerã no domingo para uma reunião, antes de sua visita ao Iraque na segunda-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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