Turquia e Síria negociam trégua em área fronteiriça

Pacto para desmilitarizar faixa de 10 km no lado sírio reduziria tensão após ataque que matou 5 civis em cidade turca

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2012 | 08h37

Os governos da Turquia e da Síria estão próximos de firmar um compromisso para que uma faixa de 10 quilômetros da fronteira, no interior do território sírio, seja desmilitarizada pelas forças de Bashar Assad. A negociação, revelada por jornais turcos no fim da semana, teria sido a condição estabelecida para que novos incidentes entre os dois países, como o que matou cinco pessoas na cidade de Akçakale, quarta-feira, não provoquem uma guerra regional.

Ontem, a Turquia disparou pelo quinto dia consecutivo contra o território sírio, mas a retaliação tende a não passar disso. Desmilitarizar a faixa de terras, grande parte já em poder de rebeldes sunitas ou de grupos curdos armados, teria sido a solução encontrada pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e pelo ditador Bashar Assad para evitar incursões militares da Turquia no interior da Síria. O acordo pretenderia reduzir a tensão após o bombardeio da cidade de Akçakale, de 84 mil habitantes.

Desde que os combates na cidade de Alepo tiveram início, em julho, a maioria dos postos de fronteira do país com a Turquia foram tomados por grupos rebeldes. Do lado turco, as portas foram fechadas. Para controlar o fluxo de pessoas e mercadorias, o Exército estacionou forças armadas e veículos blindados com armas apontadas para o país vizinho.

Nessa semana, as ameaças na fronteira se intensificaram, segundo revelou ao Estado o ativista sírio Ali Ahmed, que participa da luta armada na região norte do país. Novas baterias de artilharia foram posicionadas perto de Tall al-Abyad, um dos postos de fronteira situados nas imediações de Akçakale. Entre os oposicionistas e habitantes do norte da Síria e da região de Antáquia, na Turquia, a questão é se o regime de Assad se deixará intimidar pelas ameaças de Erdogan, que na sexta-feira declarou que a guerra não está distante.

Analistas políticos árabes radicados na Europa acreditam que os ataques da Síria à Turquia podem ser premeditados, de forma a transformar o conflito interno em uma guerra regional. "Essa militarização está a serviço de Assad e não da revolução", entende o ativista sírio Haytham Manna, chefe do Comitê de Coordenação para a Mudança Democrática. Ontem, houve também confrontos na fronteira síria com o Líbano.

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