REUTERS/Charles Mostoller
REUTERS/Charles Mostoller

Turquia emite mandado de prisão contra clérigo exilado nos EUA

Fethullah Gulen é acusado por Ancara de planejar e ordenar tentativa de golpe de Estado em 15 de julho; decisão de tribunal turco abre caminho para um pedido formal de extradição do clérigo

O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2016 | 15h53

ISTAMBUL - Um tribunal de Istambul emitiu um mandado de prisão contra o clérigo exilado nos Estados Unidos Fethullah Gulen, acusado pelo governo turco de planejar a recente tentativa de golpe de Estado, informou nesta quinta-feira, 4, a agência estatal de notícias Anatólia.

O mandado acusa o ex-imã, exilado desde 1999 o Estado americano da Pensilvânia, de "ordenar a tentativa de golpe de 15 de julho", que sacudiu o poder por algumas horas e matou ao menos 272 pessoas. Esta medida abre caminho para um pedido formal de extradição do inimigo do presidente Recep Tayyip Erdogan a Washington.

O tribunal indica que "não há dúvidas de que a tentativa de golpe foi um ato da organização terrorista (de Gulen) e foi realizada por ordem de seu fundador". O órgão afirma ainda que Gulen pretendia mudar a Constituição para tomar o poder de toda a administração estatal e dos corpos de segurança.

Além disso, argumenta que a organização do clérigo, com muitos seguidores em diferentes organismos públicos, buscava se transformar em um poder político e econômico em nível internacional, que executou o golpe com um grupo de soldados afins e durante o levante foram cometidos múltiplos crimes.

Várias autoridades turcas já reclamaram a extradição do "terrorista" Gulen. Até agora, o governo americano se manifestou apenas pedindo de Ancara evidências do envolvimento de Gulen na tentativa de derrubar o governo.

A Turquia indicou que já forneceu em duas ocasiões "dossiês" sobre o papel do clérigo no golpe. O septuagenário, que no passado era um aliado próximo do presidente Erdogan, nega qualquer envolvimento. 

No ano passado, já havia sido emitida uma ordem de detenção contra Gulen - até 2013 próximo aliado do governo turco -, por fundar e dirigir um grupo terrorista, apesar de não haver uma sentença judicial e nem decisão ministerial que qualifique de terroristas as redes de simpatizantes do clérigo. / AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Recep Tayyip Erdogan Washington Turquia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.