STR / DHA / AFP
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Turquia envia reforços militares à fronteira com a Síria em preparação para eventual ofensiva

Operação turca surge após a decisão de Trump de ordenar a retirada de suas tropas do território sírio

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 10h30

ANCARA - A Turquia enviou mais reforços militares à fronteira com a Síria em preparação para uma eventual ofensiva depois que o governo dos Estados Unidos ordenou a retirada de suas tropas do país, informou a imprensa turca nesta segunda-feira, 23.

Unidades militares, canhões do tipo Howitzer e baterias de artilharia foram transportados para o Distrito de Elbeyli, na província turca de Kilis, perto da fronteira síria, indicou a agência pública Anadolu.

O envio de reforços ocorre após o Pentágono anunciar no domingo que firmou a ordem de retirada da Síria que o presidente americano, Donald Trump, quer que se faça de forma “lenta e extremamente coordenada” com a Turquia.

A operação turca de reforçar a fronteira começou no fim de semana, com a chegada de uma centena de veículos militares turcos à região de Al Bab, sob controle das forças pró-Ancara no norte da Síria, informou o jornal Hürriyet. Também foram enviados reforços militares à cidade de Akcakale e ao distrito de Ceylanpinar, na Província de Sanliurfa, no sudeste da Turquia.

Ordem confirmada

O Exército americano confirmou que a ordem para a retirada das tropas da Síria já foi assinada, depois que Trump e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, concordaram em evitar o vácuo de poder após a polêmica medida.

O anúncio de que os 2 mil soldados americanos devem abandonar o país devastado por uma guerra civil, onde foram mobilizados para prestar auxílio no combate ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI), surpreendeu aliados de Washington e até mesmo políticos americanos. "O decreto para a Síria já foi assinado", disse um porta-voz militar ao ser questionado sobre a ordem, sem revelar detalhes.

A Turquia elogiou a decisão de Trump sobre a Síria, país onde agora haverá liberdade para atacar os combatentes curdos aliados dos Estados Unidos que desempenham um papel chave na guerra contra o EI, mas considerados terroristas por Ancara.

Trump e Erdogan conversaram por telefone no domingo e se comprometeram a "assegurar a coordenação militar, diplomática e em outras áreas para evitar um eventual vácuo de poder (...) após a retirada e a fase de transição na Síria", informou o governo turco em um comunicado.  

O presidente americano afirmou no fim da noite de domingo que Erdogan garantiu que eliminará qualquer combatente do EI que restar na Síria após a retirada das tropas americanas. "O presidente da Turquia Erdogan me garantiu em termos muito firmes que vai erradicar o que resta do EI na Síria", escreveu Trump em sua conta no Twitter. "Nossos soldados voltam para casa."

Algumas horas antes, Trump disse na mesma rede social que ele e Erdogan conversaram sobre o EI, a participação dos dois países na Síria e a "retirada lenta e extremamente coordenada das tropas americanas da região".

Fontes da Casa Branca citadas pelo jornal The Washington Post afirmaram que os conselheiros do presidente o convenceram a uma retirada mais lenta do que gostaria para não colocar em risco a segurança. / AFP

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