Turquia espera ação dos EUA contra rebeldes curdos

Primeiro-ministro do país sinaliza que Ancara espera evitar uma operação militar turca na região

Reuters

20 de outubro de 2007 | 13h57

A Turquia espera que os Estados Unidos tomem medidas urgentes contra os rebeldes curdos que estão escondidos no norte do Iraque, disse o primeiro-ministro do país,  sugerindo que Ancara espera evitar uma operação militar turca na região.  O parlamento turco autorizou que tropas do país cruzem a fronteira montanhosa para o norte do Iraque, a fim de perseguir rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que usa a região como base para ataques contra alvos turcos.  "Esperamos que a coalizão de forças no Iraque, acima de tudo os norte-americanos, tome medidas frente a situação", disse o primeiro-ministro Tayyip Erdogan à televisão turca na noite de sexta-feira.  "Essas medidas precisam ser tomadas para garantir a obtenção de resultados positivos na luta contra a organização terrorista no norte do Iraque".  "Esperamos ação dos Estados Unidos, e não do Iraque", disse o premiê. O governo de Bagdá tem pouca influência na região autônoma curda, no norte do país.  Washington e Bagdá pediram que Ancara evite uma ação militar, por temerem a desestabilização de toda a região. Eles querem que a Turquia combata o Partido dos Trabalhadores do Curdistão por meios diplomáticos.  Mas o governo de Erdogan vem sofrendo grande pressão doméstica para agir, depois de uma série de ataques fatais do partido contra tropas turcas.  Erdogan disse que discutiria as medidas anti-PKK com o presidente norte-americano, George W. Bush, quando se encontrarem em Washington, em 5 de novembro.  Quanto a uma operação conjunta da Turquia e de forças iraquianas contra os rebeldes curdos, Erdogan disse: "Essa é uma outra proposta. Podemos discuti-la".  Diplomatas ocidentais dizem que Ancara continua relutante em realizar uma ação militar por questões de segurança e dos riscos econômicos e diplomáticos. Mas a autorização parlamentar é útil, porque mantém os rebeldes em xeque e aumenta a pressão sobre Washington e Bagdá para que tomem iniciativas contra o PKK.  Ancara responsabiliza o PKK --considerado um grupo terrorista pelos EUA e pela União Européia-- pelas mortes de mais de 30 mil pessoas desde que os rebeldes lançaram a campanha armada por um Estado étnico independente no sudeste da Turquia, em 1984.

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