Turquia está aberta a dialogar com Ocalan, diz Erdogan

A Turquia está pronta a abrir negociações com o líder curdo Abdullah Ocalan, que está preso perto de Istambul há mais de uma década, em uma tentativa de acabar com o violento conflito com sua minoria curda e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), que ocorre desde 1984 e deixou dezenas de milhares de mortos. A declaração partiu do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan.

AE, Agência Estado

27 de setembro de 2012 | 15h05

O premiê turco fez a proposta de abertura após meses de uma escalada na rebelião do PKK, em ataques no sudeste da Turquia e na fronteira turca com o Curdistão iraquiano, que deixaram centenas de mortos das duas partes. Pelo menos 239 combatentes do PKK, 144 soldados e policiais turcos e 29 civis foram mortos no conflito neste ano, disse Erdogan ao canal 7 da TV turca.

Erdogan disse ao canal 7 que "poderão ocorrer novas negociações" na prisão de Imrali, que fica numa ilha no Mar de Mármara, perto de Istambul. Ocalan cumpre pena de prisão perpétua e está preso desde 1999. Trechos da entrevista de Erdogan foram publicados pela agência estatal de notícias turca, Anatólia. Erdogan reiterou, contudo, que o PKK precisará depor as armas e suspender seus ataques.

Oficialmente, o governo turco se recusa a abrir um diálogo oficial com o PKK, que Ancara classifica como organização terrorista, bem como a União Europeia (UE) e os Estados Unidos. Mas funcionários turcos admitem que ocorreram negociações secretas entre o governo, Ocalan e outros líderes curdos presos em Imrali. A última rodada dessas negociações teria acontecido em 2011 e terminou em fracasso.

Um partido político pró-curdo tem insistido na abertura de negociações com Ancara, ao dizer que o diálogo é a única solução. O partido, contudo, pede que o governo e as Forças Armadas da Turquia cessem as hostilidades. Já o governo afirma que só suspenderá os ataques quando o PKK baixar as armas.

Mais um combate aconteceu nesta quinta-feira na província turca de Hakkari, na fronteira com o Curdistão iraquiano. Dois soldados turcos e 13 guerrilheiros do PKK foram mortos, em uma operação que o exército lançou contra os insurgentes na quarta-feira.

As informações são da Associated Press.

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