AP Photo/Alexander Zemlianichenko
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Turquia lançará com Rússia ofensiva na Síria

Ancara, membro da coalizão liderada pelos EUA contra governo de Assad, mudará de lado e ajudará Moscou a defender regime e a atacar Estado Islâmico

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2016 | 19h40

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA - Membro da coalizão ocidental na Síria, liderada pelos EUA, a Turquia anunciou nesta quinta-feira, 11, que propôs à Rússia a realização de uma ofensiva militar conjunta contra o Estado Islâmico. A iniciativa foi revelada pelo ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, dois dias após o encontro entre os presidentes Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin em São Petersburgo. 

A proposta está sendo discutida entre Moscou e Ancara e pode encerrar o impasse entre os dois países sobre o regime de Bashar Assad, hoje combatido pelos turcos. Se a iniciativa se confirmar, a Turquia, que hoje faz parte da coalizão liderada pelos EUA, mudará de lado. Isso porque Washington e Moscou lideram campanhas rivais em território sírio. 

Enquanto o governo de Barack Obama apoia grupos rebeldes do norte do país contra Assad, Putin apoia o presidente sírio. Já a Turquia durante anos manteve uma posição contrária a Assad e hoje faz parte da campanha ocidental na Síria.

Segundo Cavusoglu, uma delegação de três representantes das Forças Armadas, dos serviços secretos e do Ministério das Relações Exteriores da Turquia está em São Petersburgo para debater a aproximação entre os dois países. “Vamos criar um mecanismo tripartite com a Rússia no que diz respeito à Síria”, confirmou o chanceler, revelando que deve se encontrar com seu colega russo, Serguei Lavrov, nos próximos dias. “Compartilhamos os mesmos pontos de vista sobre o cessar-fogo, a ajuda humanitária e a solução política.”

Cavusoglu enumerou os pontos de desacordo com Moscou, mas demonstrou disposição em tentar superá-los. “Temos ideias diferentes sobre a maneira de assegurar o cessar-fogo. Não queremos que os civis sejam atingidos, achamos inoportuno que a oposição moderada seja bombardeada e condenamos o cerco a Alepo”, afirmou à agência turca Anatólia.

As discussões entre Ancara e Moscou sobre a Síria fazem parte da recente aproximação entre os dois países – cujos líderes, Putin e Erdogan, têm em comum a crítica ao Ocidente. Na terça-feira, os dois presidentes selaram a normalização das relações oito meses após um incidente militar na fronteira com a Síria. 

O discurso, agora, é de conciliação. O ministro negou que a nova posição turca sobre a guerra síria seja um novo recado de hostilidade ao Ocidente. “Nós o fazemos por nossos interesses e os da região”, ressaltou.

 

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