Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Turquia não está se afastando do Ocidente, diz Erdogan

Premiê diz que alegações sobre afastamento são 'propaganda suja e mal-intencionada'

Agência Estado

10 de junho de 2010 | 12h27

ISTAMBUL - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta quarta-feira, 10, que seu país não está se afastando do Ocidente. Segundo ele, essas versões não passam de "propaganda suja". "Aqueles que dizem que a Turquia rompeu com o Ocidente são os intermediários de uma propaganda mal-intencionada", disse ele ao participar do fórum turco-árabe. "Nós estamos abertos para todas as partes do mundo. Nós não estamos abertos a uma e fechados a outra", afirmou.

 

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O governo de Erdogan, de raízes islâmicas, tem buscado dar um papel maior ao país no Oriente Médio, melhorando as relações com os países muçulmanos, entre eles os ex-inimigos Síria e Irã. Erdogan lembrou os investimentos da França na Síria e em outros países árabes. "Mas quando é a vez da Turquia investir em países árabes e vice-versa, uma propaganda suja tenta impedir esse processo".

 

Muitos no próprio país e no Ocidente demonstraram preocupação com uma suposta guinada turca para se distanciar das nações ocidentais. A Turquia é o único membro muçulmano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O país sofre uma crise com Israel, por causa da violenta ação israelense para interceptar uma flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, na semana passada. A ação israelense terminou com nove ativistas turcos mortos. Além disso, a Turquia se opôs, ao lado do Brasil, à quarta rodada de sanções contra o Irã, aprovada ontem no Conselho de Segurança da ONU.

 

Na quarta, o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou que a recusa da União Europeia em permitir a entrada da Turquia no bloco é parcialmente responsável pela mudança na política externa do país e pela piora de suas relações com Israel.

 

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O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse concordar com Gates e pediu para que se agilizasse o processo para a entrada da Turquia. Esse processo está emperrado, com França e Alemanha bloqueando a entrada do novo sócio. Isso provoca descontentamento em Ancara, que acusa os europeus de voltarem atrás desde o início das negociações, em 2005. As informações são da Dow Jones.

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