Turquia nega ter invadido o Iraque; Inglaterra confirma

O governo turco e um dirigente curdo iraquiano negaram nesta sábado versões de que 1,5 mil soldados turcos tenham invadido na noite de sexta-feira a região curda no norte do Iraque como parte de um plano para controlar o êxodo de refugiados de guerra e impedir "atividades terroristas".Os turcos e os curdos são inimigos há muitas décadas; a Turquia sempre temeu a criação de um Estado curdo autônomo perto de suas fronteiras. Entretanto, o governo britânico confirmou que um pequeno número de soldados turcos entrou no Curdistão iraquiano, mas procurou reduzir a importância da ação.Já o governo alemão advertiu que, se confirmada a invasão e Ancara se tornar uma força beligerante no norte do Iraque, a Alemanha retirará suas tripulações dos aviões da Otan que patrulham o espaço aéreo turco."Esses relatos não são verdadeiros", afirmou um porta-voz das Forças Armadas turcas, referindo-se às notícias sobre a invasão divulgadas por TVs e jornais. Um funcionário curdo iraquiano, Hoshyar Zebari, também negou que comandos turcos tenham cruzado a fronteira. "Posso confirmar para você que nenhum soldado turco entrou em nossas áreas ou foi deslocado para cá", disse Zebari.Apesar disso, o ministro britânico da Defesa, Geoff Hoon, confirmou o deslocamento turco. "Temos informações de que um pequeno número de soldados turcos entrou no norte do Iraque", afirmou Hoon. "O tamanho dessa força corresponde ao de uma operação policial".O ministro não se mostrou preocupado. "Os turcos indicaram claramente que sua única preocupação consistia em impedir a instabilidade nessa zona fronteiriça e, portanto, não estamos preocupados", disse. "Mas é claro que se trata de uma situação delicada, que manteremos sob controle."Na sexta-feira, o chanceler turco, Abdullah Gul, anunciou que a Turquia iria enviar tropas ao norte do Iraque para "proteger os interesses nacionais", sem especificar quando isso ocorreria. Horas depois do anúncio de Gul, fontes militares turcas disseram que uma pequena força de vanguarda de comandos tinha cruzado a fronteira.Washington vem pedindo que a Turquia - que liberou apenas seu espaço aéreo para sobrevôos norte-americanos, mas não permite o uso de bases em seu território por forças dos EUA que participam do conflito - não envie tropas unilateralmente ao norte do Iraque.O governo norte-americano teme que haja confronto entre forças turcas e grupos curdos. E Ancara teme que tais grupos estabeleçam um Estado independente na região e isso influencie a comunidade curda do sul da Turquia.Em Berlim, o ministro alemão de Relações Exteriores, Joschka Fischer, afirmou que a Alemanha não aceitará nenhuma mudança na natureza puramente defensiva das missões de vigilância com aviões Awacs na Turquia. "Se a Turquia se tornar um participante da guerra, essa será uma situação nova que levará à retirada de militares alemães dos aviões Awacs sobre a Turquia", disse Fischer, após uma reunião de emergência com o chefe de governo alemão, Gerhard Schroeder, e com o ministro da Defesa, Peter Struck. "Não vamos participar de uma guerra."Tal medida alemã poderia aprofundar as divisões surgidas em fevereiro na Otan, depois que a Alemanha, a França e a Bélgica bloquearam os movimentos de outros membros da aliança atlântica para reforçar a proteção da Turquia, argumentando que isso poderia legitimar a guerra no Iraque - a qual os três se opõem. Veja o especial :

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