AP Photo/Petros Karadjias
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Turquia ordena prisão de mais jornalistas em ação contra seguidores de Gülen

Pelo menos 47 profissionais que faziam parte do jornal Zaman - visto como uma organização de mídia favorável ao clérigo Fethullah Gülen e fechado pelo governo em março - tiveram a prisão determinada para beneficiar investigações

O Estado de S. Paulo

27 Julho 2016 | 14h31

ISTAMBUL - A Turquia ordenou a prisão de 47 jornalistas nesta quarta-feira, 27, parte uma ampla operação de repressão contra suspeitos de apoiarem o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado por Ancara de arquitetar o fracassado golpe de militar de 15 julho.

A detenção de jornalistas ordenada na quarta-feira envolveu colunistas e outros funcionários do agora extinto jornal Zaman, disse uma fonte do governo. Autoridades fecharam em março o Zaman, amplamente visto como uma organização de mídia favorável ao movimento de Gülen.

“Os promotores não estão interessados no que colunistas individuais escreveram ou disseram”, disse a fonte, que pediu por anonimato. “Neste ponto, a motivação é que funcionários proeminentes do Zaman provavelmente possuem conhecimento íntimo da rede de Gülen e, assim, podem beneficiar a investigação.”

Segundo informações do jornal “Hürriyet”, as detenções são parte de uma investigação sobre a rede de Gülen. As detenções desta quarta se somam a outras milhares que o governo turco vem realizando para "limpar" o país das redes de apoio ao clérigo, que nega relação com a fracassada tentativa de golpe.

Na segunda-feira, a imprensa relatou a expedição de mandados de prisão para 42 outros jornalistas, 16 dos quais já foram levados sob custódia. 

Expurgo. A Turquia suspendeu, prendeu ou colocou sob investigação mais de 60 mil soldados, juízes, professores, jornalistas e outros suspeitos de laços com o movimento de Gülen desde a tentativa de golpe, feita por uma facção dentro das forças militares. 

O Exército da Turquia informou, nesta quarta-feira, que o número de soldados que pertencem à rede de Gülen que participaram na tentativa de golpe é de 8.651, cerca de 1,5% das Forças Armadas, informou a emissora NTV.

Também nesta quarta, o regulador de mercados de capitais da Turquia informou ter revogado a licença do chefe de pesquisa da corretora AK Investment e pediu que ele fosse alvo de investigação por causa de um relatório escrito a investidores analisando a tentativa de golpe.

Governos ocidentais e grupos de direitos humanos, embora tenham condenado a tentativa de tomada do poder, que resulto na morte de 246 pessoas e deixou mais de 2 mil feridos, expressaram preocupação sobre a extensão da repressão do governo, sugerindo que o presidente Recep Tayyip Erdogan pode estar usando o episódio para alimentar a discórdia e aumentar seu próprio poder. / REUTERS e EFE

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