Turquia pede a retomada do diálogo com o Irã

A Turquia pediu nesta quinta-feira a retomada imediata das negociações entre o Irã e as potências mundiais a respeito do programa nuclear iraniano e afirmou que ambas as partes demonstraram disposição para encerrar o impasse sobre a questão. Mas a França colocou em dúvida se o Irã está pronto para voltar a negociar e disse que o próximo passo aponta para o embargo ao petróleo iraniano, da parte da União Europeia (UE).

AE, Agência Estado

19 de janeiro de 2012 | 15h52

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que seu país está pronto a hospedar e "realizar qualquer outra contribuição necessária" para que o diálogo entre o Irã e as seis potências, Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha, seja retomado. Davutoglu deu as declarações ao lado do chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, que está em visita à

Turquia.

"O que é mais importante é que esse diálogo comece imediatamente para reduzir as tensões" entre o Irã e as seis potências, disse Davutoglu. "É importante que os obstáculos sejam removidos", afirmou. Já o chanceler iraniano disse que é importante que as seis potências se engajem em rápidas negociações com o Irã. "Se existirem desculpas, isso é um sinal de que elas se opõem e não são

favoráveis às negociações".

Por mais de três anos, o Irã bloqueou o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tentava investigar acusações feitas pelos serviços de inteligência dos EUA e de outros países, de que o programa nuclear da república islâmica tem uma vertente bélica. Frente à oposição do Irã a que os inspetores tivessem acesso total às usinas iranianas, em novembro do ano passado a AIEA divulgou um relatório de 13 páginas que pela primeira vez afirmou que algumas das pesquisas nucleares do Irã podem ter objetivos militares.

A França declarou nesta quinta-feira que o Irã "infelizmente não se comprometeu de uma maneira transparente no processo das negociações", segundo declaração do chanceler Alain Juppé. "É por isso que acreditamos que o caminho é tomar medidas mais duras". Juppé disse que a partir da segunda-feira os chanceleres europeus estarão em Bruxelas e as medidas terão no alvo duas

vertentes: o embargo ao petróleo iraniano e o congelamento dos ativos do Banco Central do Irã nos países europeus.

As informações são da Associated Press.

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