Middle East Monitor / Reuters
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Turquia pede prisão de dois ex-funcionários do alto escalão do príncipe da Arábia Saudita

Autoridades turcas suspeitam que ambos supervisionaram o time que matou Jamal Khashoggi

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 10h40

ISTAMBUL - A Turquia pediu a prisão de dois ex-aliados do príncipe da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, que haviam sido afastados dos serviços em meio à repercussão do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Um tribunal aprovou mandados de prisão para o ex-assessor real Saud al-Qahtani e o antigo vice-chefe de inteligência Ahmed al-Assiri. Ambos são suspeitos de supervisionar o time que matou e desmembrou Khashoggi no consulado saudita em Istambul no início de outubro. As autoridades da Arábia Saudita dizem que os agentes que cometeram o assassinato ultrapassaram a sua autoridade.

O pedido turco, feito pelo procurador-chefe de Istambul na terça-feira 4, diz que há “forte suspeita” de que os dois assistentes estavam envolvidos no assassinato.

A Turquia também pediu para extraditar 18 suspeitos, incluindo 15 membros do suposto esquadrão da morte. O governo turco diz que o julgamento no país daria transparência e responsabilidade ao caso, acrescentando que as as autoridades sauditas não estão cooperando inteiramente com a investigação.

Falando na condição de anonimato, em linha com o protocolo governamental, um funcionário do alto escalão da Turquia familiar com as investigações disse que os mandados de prisão refletem a visão da Turquia de que a Arábia Saudita não vai punir os suspeitos.

“A comunidade internacional parece duvidar do compromisso da Arábia Saudita de processar esse crime hediondo”, disse o funcionário, acrescentando que ao extraditar os suspeitos para a Turquia, “as autoridades sauditas esperam atender a essas preocupações.”

Os sauditas detiveram 21 pessoas e dizem que estão avaliando a pena de morte para cinco deles. Inicialmente, as autoridades disseram que Khashoggi, que escrevia artigos críticos às políticas do príncipe, desapareceu após sair da embaixada. O país só reconheceu que ele morreu depois que notícias na imprensa turca, com informações vazadas de setores de inteligência, revelaram os extensivos detalhes da operação.

Desde a sua morte em 2 de outubro, o corpo de Jamal Khashoggi ainda não foi achado. A Turquia repetidamente exigiu que as autoridades sauditas revelem a identidade de um colaborador local que talvez tenha se livrado do corpo.

Relatórios de agências de inteligência americanas e especialistas dizem que é improvável que o assassinato tenha acontecido sem o conhecimento do príncipe Muhammed bin Salman. / AP

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