Turquia pede que potências do Ocidente não negociem sanções ao Irã

Países demonstraram ceticismo em relação ao acordo firmado entre Turquia, Brasil e Irã

Agência Estado

18 Maio 2010 | 09h54

ISTAMBUL - O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, pediu nesta terça-feira, 18, às potências ocidentais que não enfraqueçam a possibilidade de um acordo nuclear com o Irã, ao negociarem novas sanções ao país. Segundo Davutoglu, o acordo firmado na segunda rompeu "uma importante barreira psicológica" e caminhou rumo ao "estabelecimento da confiança mútua". "As discussões sobre sanções irão corromper a atmosfera - e a escalada de declarações pode provocar a opinião pública iraniana", disse o ministro, em Istambul.

 

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Davutoglu foi um dos signatários, junto com representantes de Brasil e Irã, do acordo segundo o qual Teerã se compromete a enviar urânio pouco enriquecido à Turquia. Em troca, receberá combustível nuclear para seu reator em Teerã. As potências ocidentais, porém, demonstraram ceticismo com o anúncio. Os EUA disseram que não pretendem parar de tentar aprovar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

O ministro turco argumentou que não há motivos para se duvidar do acordo. Ele qualificou o documento como uma base para superar o impasse em torno do programa nuclear iraniano. Países como EUA, França e Reino Unido temem que o Irã busque secretamente armas nucleares, mas Teerã diz ter apenas fins pacíficos.

 

"Não há incerteza. Há o desejo político claramente expresso pelo Irã, firmado por Turquia e Brasil, países muito respeitados na comunidade internacional, e a coisa toda está vinculada a um cronograma", notou ele. "Agora é hora de se sentar e trabalhar para criar as condições para a paz verdadeira, na base criada (por este acordo), não para fazer especulações ou levantar suspeitas", defendeu.

 

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Mais cedo, a China, um dos membros permanentes do Conselho de Segurança que se opõe às sanções, expressou apoio ao acordo e reiterou que o país sempre procurou uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana. As informações são da Dow Jones.

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