Turquia permitirá passagem de curdos do Iraque para reforçar defesa de cidade síria

Estados Unidos entregaram armas pela primeira vez aos defensores de Kobani, para ajudá-los a resistir ao avanço do Estado Islâmico (EI)

O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 15h10

ANCARA - A Turquia afirmou nesta segunda-feira, 20, que permitirá a passagem de combatentes curdo-iraquianos para ajudar seus companheiros curdos na cidade síria de Kobani, ao passo que os Estados Unidos entregaram armas pela primeira vez aos defensores de Kobani, para ajudá-los a resistir ao avanço do Estado Islâmico (EI).

Washington explicou que as armas haviam sido fornecidas por autoridades curdo-iraquianas e tinham sido entregues por aviões perto de Kobani, que vem sofrendo intenso ataque do Estado Islâmico desde setembro e agora está cercada pelo leste, oeste e sul. A cidade faz fronteira ao norte com a Turquia.

A Turquia estacionou tanques nas colinas de frente a Kobani, mas se recusa ajudar as milícias curdas em solo se não houver um acordo mais amplo com seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre intervenção na guerra civil da Síria. O governo turco quer que sejam tomadas ações contra o presidente sírio, Bashar Assad.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, disse em uma entrevista coletiva que a Turquia estava facilitando a passagem de forças curdo-iraquianas, os chamados soldados peshmergas, os quais combateram o Estado Islâmico quando o grupo militante atacou a região autônoma curda no Iraque há alguns meses. O chanceler não deu detalhes.

A recusa da Turquia para intervir na batalha contra o Estado Islâmico, que tomou grandes áreas da Síria e do Iraque, tem levado a uma crescente frustração por parte dos EUA.

Essa atitude também provocou manifestações violentas no sudeste da Turquia de curdos furiosos com a recusa do governo turco em ajudar Kobani ou pelo menos abrir um corredor para que combatentes voluntários ou reforços se dirigissem para lá.

O governo turco vê os curdos-sírios com grande suspeita por causa de seus laços com o PKK, um grupo militante que há décadas trava uma campanha pelos direitos curdos na Turquia. / REUTERS 

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