AFP PHOTO / ADEM ALTAN
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Regime turco fecha 45 jornais e 16 emissoras de TV

Segundo um funcionário, objetivo é obter informações sobre a rede de Gulen que possam ajudar na investigação

Redação, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2016 | 16h26

ISTAMBUL, TURQUIA - A Turquia fechou nesta quarta-feira, 27, dezenas de grupos de mídia, entre eles 45 jornais e 16 redes de TV, em mais um passo na repressão contra os suspeitos de apoiarem a tentativa de golpe do dia 15 e o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, acusado por Ancara de planejar o golpe. O anúncio foi feito pela mídia estatal. 

Mais cedo, 47 jornalistas tiveram a prisão decretada. A detenção envolveu colunistas e outros funcionários do agora extinto jornal Zaman, disse uma fonte do governo. Em março, as autoridades fecharam o Zaman, visto como um veículo favorável ao movimento de Gulen, que vive nos EUA e negou qualquer envolvimento com o golpe.

“Os promotores não estão interessados no que colunistas individuais escreveram ou disseram”, disse a fonte, que pediu anonimato. “A motivação é que funcionários proeminentes do Zaman provavelmente possuem informações sobre a rede de Gulen e podem beneficiar a investigação.”

Na segunda-feira, a imprensa relatou a expedição de mandados de prisão para 42 outros jornalistas, 16 dos quais já foram levados sob custódia. A Turquia suspendeu, prendeu ou colocou sob investigação mais de 60 mil soldados, juízes, professores, jornalistas e outros suspeitos de laços com o movimento de Gulen desde a tentativa de golpe do dia 15 por uma facção dentro das forças militares. 

O Exército informou nesta quarta-feira que o número de soldados que pertencem à rede de Gulen e participaram da tentativa de golpe é de 8.651, cerca de 1,5% das Forças Armadas, informou a emissora NTV. 

Governos ocidentais e grupos de direitos humanos, embora tenham condenado o golpe, que deixou 246 mortos e mais de 2 mil feridos, expressaram preocupação sobre a extensão da repressão do governo, sugerindo que o presidente Recep Tayyip Erdogan pode estar usando o episódio para alimentar a discórdia e aumentar seu poder.

Militares. Autoridades turcas planejavam uma limpeza dentro do Exército para eliminar membros ligados a Gulen pouco antes da tentativa de golpe do dia 15, informou hoje também o ministro de Energia, Berat Alabayrak, genro de Erdogan. Ele sugeriu que parte dos militares decidiu agir porque sabia que haveria um expurgo. 

Albayrak, que estava com Erdogan na noite da tentativa de golpe, afirmou que um civil havia avisado Erdogan sobre o golpe, mas apenas mais tarde se tornou claro a gravidade da situação. / AP, REUTERS e EFE

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