AP Photo/Kayhan Ozer Presidential Press Service
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Turquia prende 1,6 mil após morte de embaixador russo

Maior parte dos detidos é acusada de ter vínculos com clérigo Fethullah Gulen, exilado nos EUA e opositor de Erdogan

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2016 | 20h09

PARIS - Mais 1.682 pessoas foram presas na Turquia só na última semana por suspeitas de vínculos com organizações consideradas “terroristas”, que se opõem ao presidente Recep Tayyip Erdogan. A onda de detenções foi confirmada pelo Ministério do Interior turco e ocorreu após o atentado que matou o embaixador da Rússia em Ancara, Andrei Karlov, por um policial turco que depois do crime gritou palavras de ordem contra os bombardeios em Alepo, na Síria. 

Entre os presos, no entanto, mais de 1,1 mil seriam membros da organização do clérigo Fethullah Gulen, que vive no exílio nos EUA, se opõe ao governo de Erdogan e não teria vínculos com a morte do embaixador. 

As prisões vêm sendo denunciadas na Europa como parte da onda de repressão para intimidar a oposição na Turquia após a tentativa de golpe de Estado em 15 de julho. Desde então, o país está em estado de emergência, regime de exceção que amplia poderes da polícia e da Justiça.

O número de detidos foi anunciado pelo próprio Ministério do Interior, que faz da repressão aos movimentos oposicionistas uma demonstração de força. A maior parte das detenções ocorre em regime provisório, mas 86 pessoas foram formalmente presas por ordem judicial. Outras 105 foram presas por suposto envolvimento com organizações curdas – a minoria ética é um dos principais alvos de Erdogan –, e o partido HDP, pró-curdo, foi proscrito. Além deles, 78 suspeitos de pertencer ao grupo jihadista Estado Islâmico também foram detidos.

Mão de ferro. Desde o golpe frustrado, a política de repressão de Erdogan já resultou na detenção de mais de 50 mil pessoas e na demissão de mais de 150 mil servidores das Forças Armadas, da polícia e do funcionalismo público acusados de vínculo com organizações golpistas. Jornalistas e veículos de imprensa também são alvo da perseguição. Mais de 100 profissionais foram presos – mais de 40 no exercício da profissão. 

Desde que a onda de repressão teve início, organizações não governamentais da Europa denunciam a atitude do governo de Erdogan, a quem atribuem uma deriva autoritária. O Parlamento Europeu também votou uma resolução na qual pediu à Comissão Europeia que suspenda as negociações para inclusão da Turquia no bloco de 28 países. 

 

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