Bulent Kilic/Agence France-Presse
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Turquia prende dois supostos espiões ligados à morte de jornalista saudita

Embora já se saiba que o crime foi cometido por sauditas, ainda há dúvidas sobre se houve um 'colaborador local' responsável por ocultar o corpo

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2019 | 14h29

ISTAMBUL - As forças de segurança da Turquia prenderam dois supostos espiões dos Emirados Árabes Unidos que estariam ligados ao assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, informou nesta sexta-feira, 19, a agência de notícias turca Anadolu.

O Ministério Público de Istambul ordenou a prisão dos dois suspeitos, que não tiveram a nacionalidade revelada, e investiga agora a possível relação deles com a morte de Khashoggi, assassinado no Consulado da Arábia Saudita em Istambul.

Embora já se saiba que o crime foi cometido por sauditas, ainda há dúvidas sobre se houve um "colaborador local" responsável por ocultar o corpo.

De acordo com a rede de televisão pública turca TRT, os dois suspeitos fizeram frequentes viagens à Turquia, embora um deles tenha chegado ao país depois do assassinato de Khashoggi.

A emissora afirma que os dois supostos agentes confessaram durante o interrogatório que foram enviados para coletar informações sobre pessoas de origem árabe residentes na Turquia. Eles foram detidos sob a acusação de "espionagem militar, política e internacional", e o Ministério Público pede prisão preventiva para ambos.

Os Emirados Árabes são um dos aliados mais próximos da Arábia Saudita e pertencem a um grupo geopolítico oposto ao da Turquia, que na região do Golfo Pérsico apoia o Catar, o que gerou tensões entre Ancara e Riad.

Khashoggi, um colunista do Washington Post que criticava o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, foi morto no consulado em 2 de outubro por uma equipe de agentes sauditas, provocando um clamor internacional. 

A CIA e alguns países ocidentais acreditam que o príncipe herdeiro ordenou o assassinato, o que autoridades sauditas negam. A promotoria da Arábia Saudita indiciou 11 suspeitos não identificados, incluindo 5 que podem enfrentam pena de morte por acusações de ordenar e cometer o crime.  / EFE e Reuters 

 

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