AP
AP

Turquia prende 450 suspeitos de integrar o EI

Detenções ocorreram em meio a uma ampla operação em 18 províncias do país e pouco mais de um mês após atentado em ano-novo a boate

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2017 | 10h22

ISTAMBUL - A polícia da Turquia deteve neste domingo, 5, em uma grande operação em 18 províncias, 450 pessoas por supostos vínculos com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), pouco mais de um mês após o atentado cometido por um jihadista em uma boate de Istambul que deixou 39 mortos.

Segundo a agência de notícias Anatólia, os detidos são em sua maioria estrangeiros e alguns deles estavam planejando atentados. Os suspeitos foram detidos em operações nas duas principais cidades do país, Istambul e Ancara, e em 16 províncias da Turquia.

A agência destacou que foram apreendidos vários materiais, que serão avaliados pelos investigadores.

Na Província de Sanliurfa (sul), na fronteira com a Síria, comandos antiterroristas efetuaram operações simultâneas em várias casas e detiveram cerca de 100 cidadãos sírios suspeitos de pertencer ao EI.

Na cidade de Ancara foram presos 60 suspeitos, 18 em Istambul, 47 em Bursa (oeste), 25 em Adana (sul), 38 em Hatay (sul) e 37 em Konya (centro-sul), entre outros lugares.

Com as nove pessoas detidas na Província de Esmirna, no litoral do Mar Egeu, foram apreendidos um fuzil, uma pistola e material que aponta que estavam finalizando o planejamento de um ataque. Na habitualmente tranquila cidade de Izmir, nove pessoas que iam e voltavam da Síria e são suspeitas de planejar ataques foram detidas. Um dos suspeitos, um sírio, teria entrado em contato com traficantes para ajudar membros do EI a viajar para a Europa.

O EI assumiu a responsabilidade pelo atentado contra uma boate em Istambul na noite do ano-novo, que causou a morte de 39 pessoas.

A polícia deteve em 16 de janeiro o suposto responsável pelo ataque a tiros, o usbeque Abdulkadir Masharipov, depois de mais de duas semanas de buscas, e as autoridades dizem que ele confessou ser o autor do atentado. 

Um tribunal de Istambul ordenou na sexta-feira a prisão de dez pessoas, antes de iniciar o julgamento do ataque do ano-novo, ao qual comparecerá, entre outros, Zarina Nurullayeva, mulher do suspeito de ser o atirador. Segundo a imprensa turca, ela teria dito aos investigadores que não tinha “nem ideia” de que o marido preparava um atentado.

Esta é a maior operação contra o Estado Islâmico na Turquia desde o atentado do ano-novo.

A Turquia sofreu nos últimos 18 meses uma onda de ataques do Estado Islâmico e do grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que deixaram centenas de mortos. 

Desde o fim de agosto, tropas turcas participam de combates no norte da Síria contra o Estado Islâmico. Mas suas ações também tiveram como alvo os rebeldes curdos e os militantes que lutam contra o regime de Bashar Assad.

Os aliados ocidentais da Turquia acusaram o país, em várias ocasiões, de não fazer o suficiente para evitar a entrada dos jihadistas e a criação de células do Estado Islâmico.

O governo turco nega e afirma que, desde 2013, considera o EI um “grupo terrorista”. No entanto, observadores indicam que as autoridades só começaram há alguns meses a lutar com firmeza contra o EI, e a captura de Masharipov pode resultar em informações de inteligência valiosas.

Síria. Caças turcos bombardearam neste domingo 65 posições do Estado Islâmico e “neutralizaram” 51 jihadistas no norte da Síria, segundo informou o Estado-Maior das Forças Armadas. Quatro dos jihadistas “neutralizados” seriam “emires”, o título que o EI dá a seus comandantes. Nos bombardeios também foram destruídos 56 edifícios e 3 centros de comando nos arredores da cidade de Al-Bab, revelaram as Forças Armadas. / EFE e AFP

Mais conteúdo sobre:
Estado Islâmico Istambul Ano Novo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.