AFP PHOTO / Thomas URBAIN
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Turquia promete arrancar pela raiz influência de opositor Gülen

Segundo um balanço da agência France-Presse (AFP), ao menos 25 mil funcionários, sobretudo policiais e educadores, foram suspensos ou destituídos de suas funções em todo o país, no âmbito da caça a gülenistas

O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2016 | 16h30

Quatro dias depois da tentativa de golpe contra o regime turco de Recep Tayyip Erdogan, a vasta operação destinada a acabar com a suposta influência do opositor exilado Fethullah Gülen se estendeu a novos setores, em particular, à educação em toda a Turquia.

O Conselho de Ensino Superior (YÖK) pediu a renúncia de mais de 1,5 mil professores de universidades públicas e das que estão vinculadas a fundações privadas, segundo a agência pró-governo Anatolia.

Segundo um balanço da agência France-Presse (AFP), ao menos 25 mil funcionários, sobretudo policiais e educadores, foram suspensos ou destituídos de suas funções em todo o país, no âmbito da caça a gülenistas.

Além disso, 9.322 militares, magistrados e policiais são alvos de um procedimento judicial, declarou o vice-primeiro-ministro Numan Kurtulmus, sem fornecer mais detalhes.

"Vamos bani-los de tal forma que (...) nenhum outro traidor, nenhuma organização terrorista clandestina ou grupo terrorista separatista terá a audácia de trair a Turquia", declarou o primeiro-ministro Binali Yildirim, em referência aos partidários do clérigo Fethullah Gülen, acusado de estar por trás do golpe.

No entanto, mais cedo, havia buscado tranquilizar a comunidade internacional, ao negar que exista um "espírito de vingança" contra os golpistas, já que "uma coisa assim é absolutamente inaceitável no Estado de direito". "Esta nação tira sua força do povo, não dos tanques", insistiu Yildirim no Parlamento.

As imagens que mostram agressões e humilhações contra os soldados golpistas que se renderam provocaram uma grande polêmica, sobretudo nas redes sociais. "O nível de vigilância e de atenção será importante nos próximos dias", advertiu na segunda-feira o secretário de Estado americano, John Kerry.

Nesta terça-feira, 19, o Alto Conselho de Rádio e Televisão turco (RTUK) anunciou que havia retirado as licenças das redes de TV e rádio próximas a Gülen, ou seja, os meios vinculados ao FETO/PDY, acrônimos do movimento de Gülen.

Yildirim anunciou ainda que Ancara enviou "informações" a Washington sobre Gülen sobre seus supostos vínculos com a tentativa de golpe. O clérigo, exilado nos Estados Unidos desde 1999, nega qualquer envolvimento no caso. 

"Sempre fui contra a intervenção de militares na política interna", afirmou na segunda-feira em uma entrevista à  AFP nos EUA. "Em um panorama como este, já não é possível falar de democracia, de Constituição, de uma forma de governo republicano", acusou o líder opositor, ex-aliado de Erdogan e atualmente seu grande inimigo.

Além disso, o religioso afirmou que o governo pode ter desempenhado um papel na tentativa de golpe. "Informações da imprensa indicam que membros do partido no poder estavam cientes da tentativa 8, 10 ou 14 horas antes", disse.

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