Turquia quer aprovação do Parlamento para ação militar contra o EI

Avanços de grupo jihadista para perto da fronteira turca aumentaram pressão sobre Ancara por ação com coalizão internacional

O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 15h53

ISTAMBUL - A Turquia deve obter aprovação parlamentar para operações militares na Síria e no Iraque nesta semana, em um momento no qual insurgentes do Estado Islâmico (EI) ameaçam seu território. Ancara deve hesitar em enviar tropas sem uma zona de exclusão aérea consentida internacionalmente. 

Tanques e veículos blindados turcos assumiram posições nas colinas de frente à sitiada cidade fronteiriça síria de Kobani na segunda-feira, à medida que ataques de artilharia dos militantes sunitas se intensificaram e chegaram até a atingir solo turco. 

Os avanços do EI para dentro do campo de visão do Exército turco aumentaram a pressão sobre Ancara para adotar uma postura mais firme contra os jihadistas como parte da coalizão liderada pelos EUA que realiza ataques aéreos contra posições do EI na Síria e no Iraque.

A Turquia, membro da Otan que tem fronteiras com os países, até agora havia declinado tomar um papel central, temerosa, em parte, que a ação militar pudesse fortalecer o presidente sírio, Bashar Assad, e dar mais poder a militantes aliados aos curdos na Turquia, que buscam há três décadas mais autonomia. 

Os turcos também argumentam que apenas realizar ataques aéreos terá pouco efeito para melhorar a instabilidade de longo prazo em sua fronteira de 1.200 quilômetros. 

O Parlamento votará na quinta-feira a proposta do governo, que deve ser apresentada nesta terça, para autorizar ação militar na Síria e no Iraque, estendendo o mandato que inicialmente permitiria à Turquia atingir militantes no norte do Iraque e se defender contra qualquer ameaça das forças de Assad. 

O jornal Sabah disse nesta terça que duas brigadas militares, com cerca de 10 mil soldados, estavam em alerta na fronteira para garantir uma "zona segura" para civis em território sírio. Esses destacamentos teriam apoio, se necessário, de helicópteros militares, com caças realizando missões de reconhecimento.

Autoridades turcas ressaltaram que, embora a Turquia vá defender suas fronteiras, não deve intervir na Síria ou no Iraque em solo unilateralmente e acrescentaram que uma zona com restrição de voos ao longo de sua fronteira é uma demanda prioritária.

Ancara também está receosa em agir sobre a cidade de Kobani, predominantemente curda, para não fortalecer curdos sírios ligados a militantes que há três décadas realizam uma insurgência no sul da Turquia em busca de maiores direitos ao povo curdo. "Temos, primeiro, que garantir a segurança de nossa fronteira. É por isso que devemos buscar uma zona com restrição de voos, e precisamos ter uma zona de segurança", disse o presidente Recep Tayyip Erdogan. / REUTERS

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