Turquia recebe 85 desertores de forças sírias, incluindo 1 general

Segundo agência turca, grupo cruzou a pé a fronteira; Ancara envia 6 caças à região e amplia tensão com vizinho

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h06

Um grupo de 85 militares sírios - incluindo 1 general, 2 coronéis e outros 18 oficiais - desertou ontem para a Turquia, cruzando a fronteira a pé. A informação foi divulgada pela Anatolia, a agência pública de notícias de Ancara, citando fontes locais.

A deserção ocorre no momento em que a fronteira entre Síria e Turquia vive dias de tensão. Seis caças turcos F-16 foram enviados para a região após um incidente envolvendo helicópteros sírios. As aeronaves enviadas pelo regime de Bashar Assad teriam se aproximado demais da fronteira, segundo Ancara.

Há duas semanas, um avião turco foi abatido por um míssil terra-ar sírio, irritando o governo de Ancara. A Turquia é membro da Otan e, pelas regras de defesa coletiva da aliança atlântica, uma agressão síria deveria ser respondida em conjunto.

Questionado sobre o risco de guerra, o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, adotou um tom cauteloso. "Não acredito (que haverá confronto), pelo contrário. Parabenizo a Turquia por ter demonstrado moderação."

Ontem o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, participou de uma reunião com opositores sírios no Cairo. "Cedo ou tarde o desejo do povo sírio reinará", afirmou Davutoglu aos dissidentes.

Em Genebra, a alta-comissária para Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o fornecimento de armas para opositores e governo está tornando ainda mais violenta a crise, que já dura 16 meses. A funcionária da ONU, porém, não citou nenhum país. Acredita-se que Assad receba armas da Rússia e do Irã, seus principais aliados, enquanto países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, forneceriam armamento aos insurgentes.

Navi afirmou que a missão de observadores da ONU no país -suspensa desde o dia 16 - deve ser intensificada e pediu novamente que o conflito sírio seja analisado pelo Tribunal Penal Internacional.

Ataques. Tropas de Assad estão concentrando a ofensiva em Douma, na periferia de Damasco. Há dois dias, forças do regime já haviam lançado um ataque contra o local, reduto de opositores.

Ontem, segundo testemunhas, a batalha entre insurgentes e soldados deixou corpos espalhados pelas ruas desertas. Não há informações sobre o número de mortos. A ONU estima que mais de 13 mil pessoas já morreram no levante na Síria, a oposição fala em quase 15 mil. / REUTERS e AFP

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